EECS pede resposta europeia à crise da habitação

  • 13 agosto 2026, quinta-feira
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Comité Económico e Social Europeu (EESC)

FOTO NATE WATSON/ UNSPLASH

Christina Genet

Entre as prioridades identificadas pelo Comité encontram-se o aumento da oferta de habitação acessível, o reforço do investimento público e a simplificação dos processos de licenciamento.

O Comité Económico e Social Europeu (EESC) considera insuficiente a atual resposta europeia à crise da habitação, segundo um parecer adotado na sessão plenária de julho. A posição surge no âmbito da Estratégia Europeia para a Construção de Habitação, apresentada pela CE em dezembro de 2025 no quadro do Plano Europeu para a Habitação Acessível. Embora apoie a iniciativa, o EESC considera necessário aumentar a oferta de habitação acessível e de qualidade.

Entre os principais dados apresentados no parecer encontra-se um défice anual estimado em cerca de 650 000 habitações. Desde 2010, as rendas aumentaram quase 30 %, enquanto os preços das habitações cresceram mais de 60 % desde 2013. Perante este diagnóstico, o Comité defende que devem ser dadas prioridades à reconversão de edifícios, à reabilitação e à construção nova.

No domínio do financiamento, o EESC propõe o reforço do investimento público e privado em habitação acessível, habitação social e habitação de renda limitada. O financiamento europeu e nacional deverá privilegiar modelos que garantam a acessibilidade a longo prazo, através de mecanismos como rendas baseadas nos custos, obrigações de reinvestimento e modelos de gestão sem fins lucrativos.

Licenciamento mais rápido sem baixar padrões

O Comité defende ainda que estas prioridades sejam refletidas no quadro financeiro plurianual da UE para 2028-2034, incluindo uma plataforma europeia de investimento e uma rubrica específica para a habitação acessível. Aos Estados-Membros caberia apresentar planos nacionais com metas e mecanismos de acompanhamento.

A simplificação e a digitalização dos procedimentos de licenciamento são também consideradas essenciais para reduzir encargos administrativos e melhorar a eficiência do setor. O EESC alerta, contudo, que a simplificação não deve traduzir-se numa redução dos requisitos.

O parecer critica, por outro lado, a ausência de orientações mais claras sobre a utilização do solo e o ordenamento do território na estratégia europeia e alerta para os riscos de uma expansão urbana desordenada. Defende uma estratégia de desenvolvimento rural e a utilização de instrumentos que promovam habitação acessível, como por exemplo, quotas obrigatórias de habitação subsidiada.

Entre as propostas políticas, o EESC inclui a integração do direito a uma habitação adequada e acessível no direito primário da UE e uma atenção acrescida aos grupos vulneráveis, nomeadamente pessoas com deficiência, idosos, jovens e famílias com filhos.

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