New European Bauhaus (NEB)

D.R.

Em setembro de 2020, a Presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen lançou a New European Bauhaus (NEB), propondo conectar o pacto verde ecológico com a vida quotidiana. Inspirada na escola fundada por Walter Gropius em Weimar em 1919, esta iniciativa convoca todas as disciplinas para um papel ativo na transformação positiva do nosso futuro. A premissa é simples, mas de consequências vastas: os edifícios, os bairros e os espaços públicos do futuro devem ser simultaneamente sustentáveis, inclusivos e belos.

O contexto é urgente. A União Europeia (UE) reconhece que o setor da construção é responsável por cerca de 40 % do consumo de energia e 36 % das emissões de gases com efeito de estufa na UE. A revisão da Diretiva de Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD) exige edifícios com emissões nulas a partir de 2028 para o setor público e 2030 para todos os novos edifícios. Após um período de conceção, instalação e divulgação, a NEB é um movimento que ganhou vida própria, com resultados tangíveis. É nesse quadro que os artigos deste número exploram as suas implicações por perspetivas complementares.

A beleza, frequentemente marginalizada nas agendas técnicas, emerge aqui como condição, e não como luxo, de qualquer transição robusta e durável. Um espaço público não habitável, não desejado, dificilmente será mantido ao longo do tempo. A sustentabilidade sem qualidade estética é uma sustentabilidade frágil.

Mas a beleza coexiste com tensões reais. A crescente exigência de conforto nos edifícios tem implicado um aumento contínuo do consumo de recursos. Reposicionar este equilíbrio exige soluções técnicas inovadoras, não apenas como suporte à concretização do projeto, mas como fonte de inspiração de novos conceitos e possibilidades.

É aqui que a NEB revela o seu carácter verdadeiramente coletivo. Para os arquitetos, é um movimento inovador, que devolve a beleza e a síntese ao centro do pensamento de projeto. Mas a sua ambição não se esgota numa só disciplina. Precisa dos engenheiros e das suas soluções técnicas, das ciências sociais, dos artistas, das comunidades. A trilogia, beleza, sustentabilidade e inclusão, não se resolve por adição nem por cooperação paralela. Ao invés, exige colaboração real, síntese genuína entre técnica e cultura, rigor e imaginação. É esse o espírito que o conceito Bauhaus convoca.

A materialidade é outro terreno decisivo. A circularidade enfrenta ainda uma realidade distante das aspirações: as taxas de reciclagem efetiva são baixas e a reutilização direta de componentes permanece residual. O caminho exige rigor, métricas transparentes e uma cadeia de valor redesenhada.

Este rigor é igualmente necessário na relação com os territórios mais vulneráveis. As zonas costeiras e ribeirinhas enfrentam uma convergência de crises, eventos extremos, erosão, perda de ecossistemas, que os paradigmas tradicionais já não conseguem resolver. Soluções baseadas na natureza, integradas nas comunidades e alinhadas com os princípios da NEB, oferecem uma via mais resiliente. Portugal tem exemplos concretos a apresentar ao resto da Europa.

A New European Bauhaus não é uma utopia. É um programa em curso que já configura o presente da nossa indústria. Esta edição pretende contribuir para que o setor o entenda como uma oportunidade de liderar uma transformação que é, ao mesmo tempo, técnica, cultural e humana.

Editorial com José Pedro Sousa, Co-editor da Construção Magazine nº 133, maio/ junho de 2026

Humberto Varum

Diretor da Construção Magazine / Professor na FEUP

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