Entrevista a Teresa Calix

FOTO CONSTRUÇÃO MAGAZINE
Entrevista por Christina Genet
Licenciada em Arquitetura, com mestrado em Planeamento e Projeto do Ambiente Urbano e doutoramento em Arquitetura, Teresa Calix desenvolve a sua atividade académica e científica na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), onde leciona desde 2003 e é atualmente Professora Associada.
Coordena o perfil de estudos Dinâmicas e Formas Urbanas do Programa de Doutoramento em Arquitetura, e colabora nas unidades curriculares Projeto 5 (Projeto urbano) e Urbanística 2, do Mestrado Integrado em Arquitetura, e Estúdio de Projeto Urbano, do Mestrado em Planeamento e Projeto Urbano da FAUP e Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
A sua investigação centra-se nas dinâmicas e formas urbanas, tendo participado em diversos projetos de planeamento, investigação e consultoria, com destaque para contributos para planos regionais e estudos sobre coesão territorial e habitação em Portugal. Coordena o grupo de investigação MDT-CEAU-FAUP e a iniciativa internacional NEB goes South. A sua atividade docente articula ensino, investigação e colaboração com municípios e especialistas, promovendo a ligação entre universidade, estudantes e prática profissional.
É professora na Faculdade de Arquitetura do Porto e especialista nas dinâmicas urbanas e na morfologia do território. De onde vem esse interesse?
Fiz a licenciatura em Arquitetura, ainda antes do processo de Bolonha, e comecei logo a trabalhar na área. Aliás, depois do curso, integrei o projeto de execução da Faculdade de Engenharia no ateliê do arquiteto Pedro Ramalho, onde trabalhei bastante na vertente da construção. Entretanto, senti alguma falta da componente de ensino e de aprendizagem. No fundo, queria desenvolver um pouco mais as minhas competências e foi assim que me inscrevi no mestrado em Planeamento e Projeto Urbano. Esse mestrado ainda existe hoje, embora numa versão revista, e é cotutelado pela Faculdade de Arquitetura e pela Faculdade de Engenharia. Atualmente, sou também docente nesse curso. Quando terminei a parte curricular, surgiu a oportunidade de fazer a dissertação sob orientação do professor Manel Fernandes de Sá, que na altura estava a coordenar a revisão do Plano Diretor Municipal do Porto. Ele precisava de reforçar a equipa, para além dos técnicos da Câmara, e convidou-me a integrar esse trabalho. Aceitei e acabei por deixar o gabinete de arquitetura onde estava, para colaborar diretamente com a Câmara Municipal do Porto no âmbito da revisão do plano.
Foi uma experiência muito marcante, porque me permitiu aprender imenso e perceber que esta era, de facto, uma área que me interessava profundamente. O papel do arquiteto revelou-se essencial, não só nas questões de planeamento, mas também no desenho do espaço público.
Acho que foi esse momento que acabou por determinar uma viragem no meu percurso. Enquanto trabalhava nessa equipa, não era funcionária da Câmara, tinha um contrato específico. Entretanto, abriram concursos tanto na Câmara do Porto como na Faculdade de Arquitetura, e decidi candidatar-me a ambos.
Acabei por entrar nas duas, mas optei pela Faculdade de Arquitetura. A minha dissertação de mestrado acabou, aliás, por estar diretamente ligada ao trabalho desenvolvido no Plano Diretor Municipal do Porto, focando-se nas dinâmicas urbanas da cidade. A partir daí, fui seguindo naturalmente esse caminho na área da urbanística. As coisas foram surgindo de forma bastante orgânica, desde a minha entrada na docência até ao aprofundamento do meu interesse pelas morfologias urbanas, o que me levou mais tarde, a avançar para o doutoramento, também nesta área das dinâmicas urbanas (...)
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