New European Bauhaus - Arquitetura em transição: rumo à inteligência coletiva na construção

FOTO MATTIA SPOTTI/ UNSPLASH

A transformação das cidades contemporâneas coloca em evidência a necessidade de repen­sar os modos como concebemos, projetamos e produzimos o ambiente construído. A crise da habitação, o envelhecimento demográ­fico, a emergência climática e a crescente complexidade social configuram um quadro de elevada incerteza, no qual os modelos convencionais de planeamento, projeto e construção, frequentemente baseados em lógicas centralizadas, setoriais e lineares, se revelam inadequados. Estes modelos tendem a dissociar as dimensões técnicas das sociais, comprometendo a capacidade de resposta a contextos urbanos cada vez mais vulneráveis e em constante transformação.

A mobilização da inteligência coletiva emerge como um vetor estruturante para a transfor­mação do ambiente construído. Mais do que um conceito abstrato, trata-se de uma abordagem operativa que reconhece o valor da articulação entre múltiplos atores (cidadãos, técnicos, in­vestigadores, instituições públicas, empresas e associações locais) na produção de conheci­mento e na construção de soluções para pro­blemas complexos. No domínio da arquitetura, do urbanismo e da construção, esta perspetiva traduz-se na incorporação de metodologias de cocriação, capazes de integrar conhecimento técnico com saberes situados, resultantes da experiência quotidiana dos habitantes.

Princípios que encontram uma forte resso­nância na New European Bauhaus (NEB), iniciativa da União Europeia, que propõe uma reconfiguração do ambiente construído a partir da convergência entre sustentabilidade ambiental, inclusão social e qualidade estética. A NEB posiciona-se como um projeto cultural e político que ultrapassa a dimensão técnica da construção, defendendo uma abordagem integrada onde ciência, tecnologia, arte e sociedade se articulam na construção de futuros mais desejáveis. A NEB sistematiza esta visão ao enfatizar a participação cidadã, a transdisciplinaridade e a experimentação como motores essenciais de transformação urgente na Europa.

Assumir este paradigma implica reconhecer que as escolhas ao nível do desenho urbano, da habitação ou do espaço público têm impactos diretos na qualidade de vida, na coesão social e na sustentabilidade dos territórios. Neste sentido, a abertura dos processos de projeto à participação de diferentes atores torna-se não apenas desejável, mas urgente, permitin­do a construção de soluções mais inclusivas, contextualizadas e socialmente legitimadas.

É neste enquadramento que a arquitetura se afirma como uma disciplina em transição. Enquanto prática e campo de conhecimento, encontra-se hoje pressionada por desafios contemporâneos que exigem novas formas de pensar, projetar e construir. (…)

Autora Alexandra Paio
Professora associada, Escola de Tecnologias e Arquitetura, ISCTE

Leia o artigo completo publicado na Construção Magazine nº 133, maio/ junho de 2026, dedicada ao tema New European Bauhaus

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