REBLOCK desenvolve blocos com mais de 90 % de plástico reciclado

D.R
Margarida Caferra
O projeto REBLOCK está a desenvolver um sistema construtivo modular baseado em blocos produzidos com mais de 90 % de polipropileno reciclado. A solução recorre à montagem por encaixe e prevê uma etapa de validação técnica e normativa, tendo em vista a certificação ao abrigo do Regulamento (UE) 2024/3110.
O projeto de investigação e desenvolvimento pretende valorizar resíduos plásticos de difícil valorização e reduzir a utilização de materiais de construção com maior intensidade carbónica. A formulação dos blocos combina polipropileno reciclado, cargas minerais e fibras vegetais.
Além da composição do material, o REBLOCK assenta numa geometria modular e num sistema de montagem por encaixe, concebido para simplificar a execução em obra e reduzir a dependência de mão de obra especializada.
“O REBLOCK propõe um sistema construtivo inovador, baseado na construção modular, com montagem por encaixe, sem necessidade de mão de obra especializada”, explica Fábio Iori, fundador e gerente da UmBloco.
Entre as aplicações previstas encontram-se a habitação social, a reabilitação urbana, o turismo sustentável e a reconstrução pós-catástrofe. Os blocos poderão ainda ser utilizados em infraestruturas temporárias.
Solução aponta para redução das emissões
A incorporação de mais de 90 % de material reciclado poderá reduzir a utilização de materiais convencionais com maior intensidade carbónica. As estimativas do projeto apontam para uma redução entre 40 % e 60 % das emissões ao longo do ciclo de vida.
O desenvolvimento abrange a formulação dos compósitos, a definição da geometria dos blocos e a preparação de um processo de fabrico industrial escalável. O objetivo é obter uma solução industrializável, certificável e capaz de competir com os blocos convencionais.
Validação prepara futura certificação
O REBLOCK prevê a validação técnica e normativa dos blocos para verificar o cumprimento dos requisitos europeus e preparar a certificação ao abrigo do Regulamento (UE) 2024/3110. Esta etapa integra o processo de desenvolvimento da solução e deverá acompanhar a preparação para a futura industrialização.
Para Fábio Iori, o apoio do COMPETE 2030 permite concretizar as atividades de investigação, desenvolvimento e validação tecnológica necessárias ao projeto. “Graças a este incentivo, é possível concretizar as atividades de investigação, desenvolvimento e validação tecnológica indispensáveis ao REBLOCK”, afirma.
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