Investigadores criam biocompósitos para a construção a partir de cascas de fruta

D.R.

Christina Genet

Uma equipa da Universidade de Pensilvânia está a combater o desperdício alimentar através do desenvolvimento de materiais de construção biodegradáveis, destinados à criação de blocos de isolamento térmico, telhas e ladrilhos.

Transformar resíduos alimentares em materiais de construção sustentáveis? Esse é o desafio que se lançaram investigadores da Weitzman School of Design da Universidade da Pensilvânia, nos EUA. Liderada pela professora auxiliar de arquitetura Laia Mogas-Soldevila e pelo investigador associado Yasaman Amirzehni, a equipa está a desenvolver novos materiais à base de cascas de melões, ananás, ovos e frutos cítricos.

O objetivo é dar uma segunda vida ao que representa cerca de 14,8 % do desperdício alimentar produzido nos restaurantes. Para isso, os investigadores do DumoLab têm colaborado, nos últimos dois anos, com a Penn Dining e a empresa de catering Bom Appétit, com o objetivo de recolher estes resíduos. No laboratório, os materiais são secos, moídos e misturados com ligantes naturais à base de água dando origem a uma nova categoria de “biocompósitos inteligentes”.

Entre as soluções desenvolvidas a partir destes resíduos encontram-se blocos de isolamento térmico, telhas que promovem o crescimento de musgo capaz de captar carbono e ladrilhos que mudam de cor para diagnosticar a toxicidade do solo. Atualmente, a equipa continua a trabalhar no reforço da resistência à compressão destes materiais de construção biodegradáveis. A longo prazo, o objetivo passa por desenvolver um biocompósito adequado a aplicações de revestimento interior e exterior, que possa vir a ser utilizado como verdadeiro componente estrutural.

Ainda assim, os investigadores reconhecem, em comunicado, que esta inovação poderá substituir matérias-primas como o betão e o plástico a nível comercial apenas mediante um rigoroso trabalho de estandardização. Perante resíduos orgânicos com um elevado grau de variabilidade, a equipa necessita de muitas horas de trabalho para analisar cada falha e categorizar os resíduos em “famílias” previsíveis. Tal deve-se ao facto de as fibras vegetais variarem consoante o clima, a quantidade de água absorvida e as condições de crescimento.

Numa próxima fase, o laboratório pretende comprovar a longevidade destas novas famílias de materiais, colocando as misturas em câmaras de envelhecimento acelerado para prever com precisão o comportamento dos materiais ao longo de 70 anos. Em paralelo, a equipa da Universidade de Pensilvânia está também a contribuir para a criação de uma biblioteca de dados open source sobre o desempenho dos biomateriais. Em última análise, esta base de dados servirá para treinar modelos de inteligência artificial, permitindo prever de forma fiável e consistente, o comportamento de diferentes misturas naturais.

Newsletter Construção Magazine

Receba quinzenalmente, de forma gratuita, todas as novidades e eventos sobre Engenharia Civil.


Ao subscrever a newsletter noticiosa, está também a aceitar receber um máximo de 12 newsletters publicitárias por ano. Esta é a forma de financiarmos este serviço.