Projeto COASTLIFE procura melhorar a resiliência costeira

D.R.
Christina Genet
Liderada e coordenada pelo LNEC, a iniciativa aposta em soluções híbridas que conciliam proteção costeira, biodiversidade e ligação ao território.
Perante um litoral sujeito a pressões crescentes, a engenharia enfrenta novos desafios: como reforçar a resiliência das infraestruturas costeiras sem comprometer os ecossistemas e a relação das comunidades com o mar? É neste cruzamento entre engenharia, ambiente e território, que se posiciona o projeto COASTLIFE, liderado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), após um ano de atividade.
Iniciado em junho de 2025, o projeto procura desenvolver soluções inovadoras capazes de conjugar a proteção costeira, a promoção da biodiversidade e a aproximação das comunidades ao litoral. Na Cova do Vapor, em Almada, está a ser implementada e monitorizada uma zona-piloto destinada a avaliar o desempenho hidráulico e ambiental destas soluções. O objetivo é produzir conhecimento técnico que permita estabelecer orientações para futuras soluções de engenharia costeira.
Um dos elementos já utilizados na intervenção são os blocos Coastalock, unidades modulares de armadura de camada única, fabricadas em betão ecológico e disponibilizados pela ECOncrete, que visam proteger a linha de costa da erosão marítima.
O COASTLIFE resulta de uma parceria que reúne diferentes competências científicas e técnicas, envolvendo o LNEC, o IST.ID, o MARE/FCIENCIAS.ID e a Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, com a ECOncrete como consultora. A implementação no território conta ainda com o contributo de entidades como a Teixeira Duarte, a Administração do Porto de Lisboa, a Câmara Municipal de Almada, os Portos dos Açores e o Laboratório Regional de Engenharia da Madeira.
Mais do que testar uma solução localizada, a iniciativa procura gerar conhecimento transferível para futuras intervenções. A monitorização da zona-piloto e a avaliação do seu desempenho hidráulico e ambiental deverão contribuir para transformar a experiência de campo em critérios e orientações aplicáveis à conceção de estruturas costeiras mais resilientes e ambientalmente integradas.
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