Júri do Prémio Nacional de Reabilitação Urbana 2026 distinguiu 11 projetos

Foto Palacete Henrique Mendonça/ Tiago Leite de Araújo

Christina Genet

O concurso regressou para a sua 14ª edição, destacando edifícios históricos como fortalezas e palacetes, mas também antigos espaços industriais, caves vinícolas e parques urbanos.

No passado dia 22 de maio, a 14ª edição do Prémio Nacional de Reabilitação Urbana voltou a distinguir projetos de regeneração, renovação e reconversão de edifícios. O concurso reconhece projetos nas áreas da habitação, hotelaria, serviços, comércio e equipamentos sociais, valorizando tanto o resultado final como a qualidade técnica das intervenções. Foram distinguidos 11 projetos, distribuídos por 10 categorias, selecionados entre cerca de 80 candidaturas provenientes de todo o país.

Na edição de 2026 do prémio, foram destacadas obras de reabilitação do património histórico, como a Fortaleza e Castelo de Juromenha, vencedora na categoria “Intervenção de Restauro”. Promovida pela Câmara Municipal do Alandroal, com os contributos da construtora HCI, da ERA Arqueologia e do atelier Pedro Pacheco Arquitetos, a intervenção baseou-se em investigação aplicada, ensaios laboratoriais e numa seleção de soluções construtivas compatíveis com a pré-existência.

A categoria “Impacto Social” atribuiu dois prémios ex-aequo. O primeiro foi entregue ao Museu Nacional Resistência e Liberdade. Resultado da reabilitação do interior dos edifícios prisionais e da construção de novos elementos exteriores na Fortaleza de Peniche, a intervenção foi promovida pelo Património Cultural, com projeto do arquiteto João Barros Matos e obra da construtora HCI. Na mesma categoria, o Pavilhão Julião Sarmento recebeu o segundo prémio ex-aequo. Promovido pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Lisboa Ocidental SRU, com o apoio do atelier Carrilho da Graça Arquitetos e obra da Norcep Construções, o projeto de reabilitação distingue-se pela preservação da imagem industrial do antigo armazém, transformando-o num espaço expositivo moderno.

O Buz no La Movida venceu ainda o prémio 2026 na categoria “Sustentabilidade”. O projeto, localizado em Matosinhos, resulta da reabilitação integral de um edifício anterior a 1951, inserido numa malha urbana consolidada, marcada pela presença de construções antigas e pela sua progressiva reconversão para novos usos. O edifício afirma-se hoje como um espaço de trabalho contemporâneo.

Na categoria “Cidade do Porto”, o projeto de requalificação do Parque Desportivo de Ramalde foi distinguido pelo seu programa multifuncional que integrou a reabilitação dos edifícios existentes e a integração de novas valências para a prática de râguebi, futebol, atletismo e tiro com arco. A intervenção foi promovida pela GO Porto, com projeto do arquiteto Paulo Tormenta Pinto e execução da obra a cargo da Cálculos e Títulos Construções.

Foram ainda distinguidos com o Prémio Nacional de Reabilitação Urbana 2026:

- O conjunto residencial do Convento do Beato em Lisboa, promovido pela Larfa Properties / Beato Lux, com arquitetura do atelier Risco e obra da SANJOSE Constructora, na categoria “Residencial”;

- O Palacete Henrique Mendonça em Lisboa promovido por Miguel Ventura Terra, em colaboração com o atelier Frederico Valsassina Arquitetos e a construtora Teixeira Duarte, na categoria “Comercial e Serviços”;

- O Hotel Tivoli Kopke Porto Gaia promovido pelo Kopke Group Hospitality, com projeto do arquiteto José Carlos Cruz e execução da obra pela Mota-Engil, na categoria “Turístico”;

- A The Lisbon International School reabilitada pelo atelier Frederico Valsassina Arquitetos com execução da obra a cargo da SANJOSE Construtora, na categoria “Reabilitação Estrutural”;

- A Habitação José Braga do arquiteto Paulo Seco do atelier Impare Arquitetura, com obra realizada pela Construções F.J.B. Santos, na categoria “Intervenção inferior a 1000 m²”;

- O Anjos Urban Palace no Príncipe Real, promovido pela EastBanc Portugal, de autoria do arquiteto Eduardo Souto de Moura e com obra da construtora Alves Ribeiro, na categoria “Cidade de Lisboa”.

Organizado pela Vida Imobiliária, o evento reuniu um júri composto pelo engenheiro Manuel Reis Campos, presidente da CPCI; o arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), Carlos Prata; a arquiteta e coordenadora do programa de mestrado e investigadora no departamento de arquitetura da Universidade Autónoma de Lisboa, Inês Lobo; o economista e professor do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa (ISEG), João Carvalho das Neves; e o professor catedrático do Instituto Superior Técnico, Manuel Duarte Pinheiro.

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