Os Desafios da Construção Modular Pré-Fabricada em Zonas Sísmicas

FOTO GERMAN ENGELGARDT/ UNSPLASH

A construção modular e pré-fabricada de betão armado tem vindo a afirmar-se como uma solução eficiente, sustentável e competitiva. Tradicionalmente associada a edifícios industriais, esta solução estrutura tem vindo, mais recentemente, a ser aplicada também em edifícios de habitação. A redução dos prazos de execução, o controlo rigoroso da qualidade em ambiente industrial e a maior previsibilidade de custos constituem vantagens amplamente reconhecidas. No entanto, em regiões com perigosidade sísmica relevante, estas soluções colocam desafios técnicos específicos, exigindo uma abordagem de projeto mais rigorosa e diferenciada face às soluções convencionais de betão armado executadas in situ. 

Esta realidade foi amplamente discutida no Congresso Nacional em Prefabricação de Betão – ANIPB 2025, realizado em Coimbra, em outubro de 2025, que constituiu um marco de referência para o setor da construção pré-fabricada em Portugal. Este evento reuniu projetistas, investigadores, técnicos eprojetistas e representantes da indústria nacional e internacional, tendo sido organizado pela ANIPB em parceria com o Itecons. Estruturado em sessões temáticas, o congresso abordou tópicos que abrangeram desde a inovação industrial e sustentabilidade até ao desempenho sísmico e à integração de soluções modulares em edifícios de maior complexidade, evidenciando o forte contributo das empresas do setor e das instituições de investigação e ensino superior na definição de estratégias robustas para enfrentar os desafios técnicos contemporâneos. 

A perceção generalizada de que as estruturas pré-fabricadas não apresentam um comportamento sísmico adequado resulta, em grande parte, da observação do desempenho de edifícios industriais em sismos recentes. Os danos observados não estão, regra geral, associados à resistência dos elementos estruturais principais, mas sim a deficiências nas ligações viga–pilar inadequadamente concebidas para ações cíclicas horizontais, a falhas nos sistemas de ancoragem de painéis de fachada e à ausência de mecanismos eficazes de dissipação de energia. Não existem evidências reportadas em sismos recentes relativos a edifícios de habitação construídos utilizando este tipo de solução estrutural, justificado pelo menor número deste tipo de tipologia estrutural.

Estes problemas têm consequências diretas não apenas ao nível da segurança estrutural, mas também em termos de perdas económicas diretas e indiretas. Estudos de risco sísmico realizados no âmbito do projeto SeismicPrecast mostram que as perdas totais podem atingir valores muito significativos, sendo frequentemente dominadas pelos danos em elementos não estruturais, cuja contribuição ultrapassa largamente a das perdas estruturais propriamente distas. As perdas diretas correspondem aos custos de reparação e substituição associados aos danos físicos nos componentes estruturais e não estruturais, enquanto as perdas indiretas representam o impacto económico resultante da interrupção da atividade e das interdependências setoriais. (...)

Autores André Furtado, CERIS, Departamento de Engenharia Civil, Arquitetura e Ambiente, Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa
Romain Sousa, CERIS, VigoBloco SA

Leia o artigo completo na Construção Magazine nº 131, janeiro/ fevereiro de 2026, dedicada ao tema "Inteligência Artificial na Engenharia Civil"
Hugo Rodrigues

Autor da Coluna Sísmica

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