100 anos do ensino das construções na Universidade do Porto

D.R.

A construção de edifícios é um setor indispensável às sociedades desenvolvidas, em que o conhecimento crescente da física das construções e a evolução tecnológica tem conduzido a uma maior complexidade no projeto e na obra, o que exige um ensino da área das CONSTRUÇÕES suportado na investigação e na inovação.

A Universidade sempre procurou dar uma resposta adequada aos desafios que a sociedade coloca, pelo que, desde 1926, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto se ensinam conteúdos nesta área. Por isso, celebrar um centenário (1926- 2026), deste longo caminho, teve por objetivo descrever um percurso, caracterizar a atualidade e perspetivar a resposta aos grandes desafios futuros.

Diz-se frequentemente que o importante é o futuro. Claro que é uma visão adequada, mas não pode deixar de se referir que o passado é importantíssimo, porque embora não nos diga qual o caminho certo a percorrer, mostra-nos, se fizermos uma análise aprofundada, o que não devemos fazer, o que não vale a pena fazer. A experiência não se deve desprezar, sobretudo hoje, em que a velocidade da mudança nos conduz a um turbilhão dificilmente domável.

Caracterizar a atualidade é de crucial importância pois permite otimizar os meios disponíveis e elaborar um correto diagnóstico que ajude a definir uma metodologia de intervenção para dar resposta aos grandes desafios futuros.

Na academia a inovação e a criação de conhecimento são vetores de crucial importância, mas não basta a investigação não enquadrada. É imprescindível que a investigação crie conhecimento que dê resposta à nossa realidade económica, cultural e social. Se assim não acontecer provavelmente satisfaremos importantes rankings internacionais, mas não responderemos totalmente aos verdadeiros desafios nacionais na área tecnológica em que nos situamos.

A Universidade, na área das construções, tem o primordial dever de investigar e ensinar a ponta do conhecimento, numa lógica universalista, mas nunca pode esquecer que o português é falado por cerca de 300 milhões de pessoas, em vários continentes. Por isso, a língua portuguesa tem de ser um vetor de comunicação a ser preservado. A investigação experimental é uma via indispensável para o conhecimento, hoje menos atrativa que o desenvolvimento de algoritmos e a simulação numérica, compatíveis com teletrabalho e com uma maior ausência dos campus universitários. A Universidade tem de continuar a ser um espaço de partilha diária do conhecimento. Só a implementação de estratégias coletivas, com lideranças esclarecidas, conduzirá à excelência e não o somatório de percursos individuais autónomos. Percursos individuais e não de grupos dificilmente poderão dar uma resposta objetiva aos complexos problemas na área dos edifícios que pretendemos resolver.

Por outro lado, é necessário efetuar a transição de gerações e de experiências acumuladas, dada a absoluta necessidade de renovação e de rejuvenescimento da Universidade, bem como a promoção da ligação cada vez mais intensa com as empresas e instituições. Não é mais possível o corpo docente ficar estagnado. Só a renovação continuada permite reunir diferentes gerações com abordagens diferenciadas e permitir a transição de saberes, isto é, criar uma verdadeira escola.

O programa do “100 ANOS DO ENSINO DAS CONSTRUÇÕES NA UNIVERSIDADE DO PORTO” abordou a temática da habitação, da reabilitação, da inovação na construção e dos novos modelos de promoção, bem como mostrou as potencialidades experimentais da área das CONSTRUÇÕES na Faculdade de Engenharia. As instituições são feitas pelas pessoas, mas não são das pessoas, sendo a sua perenidade fruto do trabalho continuado das diferentes e sucessivas gerações.

Vasco Peixoto de Freitas

Membro do Conselho Científico da Construção Magazine / Professor na FEUP

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