História da Construção: Âmbito, Objetivos e Contributo para a Conservação do Património Arquitetónico

FOTO CLAUDIO SCHWARZ/ UNSPLASH

A História da Construção constitui um campo de conhecimento com identidade própria. que, sinteticamente, tem como propósito fundamental obter um entendimento global e coerente da actividade da construção num dado lugar e tempo – em toda a sua complexidade –, promovendo uma visão holística por meio de uma abordagem transdisciplinar. Aborda, para tal, matérias tão dístintas como: (i) as técnicas, regras, procedimentos e correspondentes soluções construtivas; (ii) os materiais, maquinaria e ferramentas utilizados; (iii) o ensino da construção, a literatura técnica e outros meios de transferência de conhecimento; (iv) os aspectos da história económica e social, compreendendo, designadamente, o enquadramento legal da actividade e as formas de organização do trabalho e das profissões; entre outras visando o mesmo objecto.

Distingue-se da História da Arquitectura – centrada tradicionalmente na teoria, nos estilos e nos contributos de arquitectos de referência –, e da História da Engenharia Civil – tipicamente concentrada na inovação e nos grandes projetos de infraestruturas –, aproximando-se, metodologicamente, de outros domínios, tais como a História das Ciências, a História das Tecnologias e a História Económica e Social.

O seu desenvolvimento, enquanto campo disciplinar autónomo, verificou-se, fundamentalmente, a partir da década de 80 do século XX, associando-se à fundação da “Construction History Society” em 1985, no Reino Unido, e que se constituiu como a primeira associação científica exclusivamente dedicada ao campo da História da Construção – a que outras se seguiram, em Espanha (1996), Estados Unidos da América (2007), França (2013), Alemanha (2013) e Portugal (2015) –, bem como ao surgimento dos primeiros congressos internacionais – com a designação de International Congress on Construction History –, o primeiro em Madrid (2003), e depois em Cambridge (2006), Cottbus (2009), Paris (2012), Chicago (2015), Bruxelas (2018), Lisboa (2021) e Zurique (2024).

Contudo, o interesse por estas matérias não é de agora; no passado, mais ou menos distante, encontramos exemplos de autores que se debruçaram sobre temas que hoje se inscrevem, claramente, no âmbito da História da Construção. Entre muitos outros, e meramente a título de exemplo, pode-se invocar, desde logo, o nome de Vitrúvio (século I a.C.) – que aborda a construção romana na obra De architectura libri decem  –, até, já no século XIX, Eugène Viollet-le-Duc (1814-1879) e Auguste Choisy (1841-1909), com obras fundamentais sobre a construção gótica e a construção romana, bizantina, grega e egípcia, respectivamente.

No caso português, o primeiro evento significativo no campo da História da Construção teve lugar em Lisboa, em 2010, com a Conferência “A História da Construção em Portugal. Alinhamentos e Fundações”. Neste âmbito, merece ainda referência o 1.º Congresso Internacional de História da Construção Luso-Brasileira, realizado em 2013, em Vitória, no Brasil, a que se sucederam os congressos realizados no Porto (2016), em Salvador, no Brasil (2019) e em Guimarães (2023). Com a fundação, em 2015, da Sociedade Portuguesa de Estudos de História da Construção (SPEHC), visou-se estimular a investigação nesta área científica, promovendo a sua divulgação e proporcionando um melhor enquadramento a todos os que se lhe dedicam, com foco em Portugal e nos territórios de influência portuguesa. (...)

Leia o artigo completo na Construção Magazine nº 131, janeiro/ fevereiro de 2026

Rui Fernandes Póvoas

Autor da coluna Arquitetura

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