Segurança sísmica das pontes: um pilar da confiança pública

FOTOGRAFIA ASDELICIASDABELA/ PIXABAY

Quem percorre diariamente estradas e autoes­tradas, atravessando pontes ou passando sob os seus tabuleiros, raramente questiona a sua segurança. O cidadão comum toma como adquirido que estas estruturas – muitas ve­zes invisíveis na rotina – foram concebidas, construídas e são mantidas de acordo com padrões que asseguram a sua robustez. As pontes, viadutos e passagens superiores fazem parte de um património coletivo que transmite confiança pública: são símbolos da fiabilidade do sistema de transportes e da engenharia que o sustenta.

No entanto, em cenários de risco extremo, como a ocorrência de um sismo de forte intensidade, a resiliência destas obras de arte assume um papel ainda mais decisivo. Uma ponte não é apenas uma infraestrutura de mobilidade; é também um elo vital para a resposta de emergência. A sua operacionalidade após um abalo sísmico pode significar a diferença entre o isolamento de comunidades inteiras e a che­gada atempada dos meios de socorro. É pelas pontes que passam ambulâncias, bombeiros e forças de proteção civil. É através delas que os feridos podem ser evacuados para hospitais e que os recursos necessários chegam às zonas mais atingidas.

A importância da classificação e do dimensionamento

Dada a relevância estratégica destas infraes­truturas, impõe-se uma reflexão sobre o modo como devem ser concebidas e geridas. As pontes inseridas em itinerários prioritários – corredores de acesso a hospitais, centros logísticos, zonas industriais críticas ou rotas de evacuação – devem ser dimensionadas e avaliadas como estruturas de classe de importância superior. Isto implica requisitos de desempenho mais exigentes: não basta evitar o colapso; é desejável preservar a ope­racionalidade, ainda que condicionada, após um evento extremo.

Isolamento sísmico: projetar para continuar a operar

Entre as soluções disponíveis, o isolamento sísmico (isoladores elastoméricos de alto amortecimento, isoladores elastoméricos com núcleo de chumbo, apoios pendulares de atrito, entre outros) tem vindo a afirmar-se como estratégia de projeto e de reforço que desacopla a superestrutura do movimento horizontal do terreno. Na prática, a ponte “filtra” parte das acelerações, reduz as forças transmitidas aos pilares e fundações e limita danos, favorecendo uma reabertura rápida ao tráfego após o sismo. Em termos funcionais, isto traduz-se numa maior probabilidade de manter vias críticas abertas para socorro e evacuação (...)

Autor: António Perry da Câmara
Engenheiro Civil (AM) – MSc (FCT/UNL) – ComM
Perry da Câmara e Associados – Consultores de Engenharia Lda.

Leia o artigo completo na Construção Magazine 130, novembro/ dezembro de 2025

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