Do BIM aos gémeos digitais na gestão de ativos

FOTO JOEL FILIPE/ UNSPLASH

A digitalização do setor da construção tem sido impulsionada sobretudo pela adoção crescente da metodologia Building Information Modelling (BIM).

O BIM representa uma abordagem estruturada para a criação, gestão e partilha de informação sobre ativos construídos, ao longo do seu ciclo de vida. No contexto da gestão de ativos, a norma ISO 19650 introduz o conceito de Asset Information Model (AIM), que agrega os dados relevantes para a operação, manutenção e eventual desativação de um ativo físico.

Os Gémeos Digitais ou Digital Twins (DT) representam uma evolução significativa face ao BIM. Enquanto o BIM é uma representação estática, o DT é definido no projeto de norma europeia prEN 18162:2025 como uma representação digital sincronizada com o estado físico do ativo, capaz de suportar visualização, simulação, monitorização, previsão e controlo. Por outras palavras, se o BIM é uma representação de um ativo num determinado momento e para um determinado fim, o DT contém o registo do estado desse ativo e permite estimar a sua situação futura. Esta sincronização exige a integração de dados recolhidos em tempo real através de sensores e sistemas de gestão técnica.

Apesar das vantagens potenciais dos DT — como a melhoria da eficiência operacional, manutenção preditiva e apoio à decisão baseado em dados — os custos associados à sua implementação podem ser significativos, especialmente em ativos existentes que não dispõem de modelos BIM. Para além disso, as entidades responsáveis pela gestão dos ativos nem sempre conseguem estimar o valor dos DT, uma vez que se trata de uma tecnologia emergente. Justifica-se, pois, definir e implementar soluções compatíveis com a análise de valor realizada pelos gestores de ativos, incluindo possíveis soluções mais simples, de custo reduzido.

Assim, em vez de definir um objetivo único e exigente de geminação digital total (isto é, a obtenção de um DT do Ativo, ou Asset Digital Twin, ADTw), é essencial promover uma estratégia de transição digital progressiva, adaptada à realidade dos ativos e das organizações. Esta estratégia pode incluir:

  • A criação de DT parciais (de componentes ou sistemas);
  • A utilização de dados operacionais e visuais (como fotografias ou nuvens de pontos) como ponto de partida;
  • A integração de modelos BIM, sempre que viável e justificado.

Este artigo propõe-se a explorar essa transição, analisando os conceitos, tipologias e implicações práticas da evolução do BIM aos DT na gestão de ativos com base no projeto de norma europeia prEN 18162:2025. (...)

Leia o artigo na Construção Magazine 130, novembro/ dezembro de 2025 
João Poças Martins

Autor da coluna Tecnologias de Suporte à Construção

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