OE defende construção da Barragem de Girabolhos para reforçar a segurança hídrica do Baixo Mondego

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Christina Genet
Em comunicado, a Ordem dos Engenheiros estima que a infraestrutura poderá colmatar as insuficiências da Barragem da Aguieira na resposta por si só a eventos hidrológicos de grande intensidade.
A construção da Barragem de Girabolhos deve constituir uma medida prioritária para aumentar a resiliência do sistema hídrico do Baixo Mondego, afirma a Ordem dos Engenheiros (OE) num comunicado, considerando positiva a decisão do Governo de manter o projeto. Para a instituição, a infraestrutura deverá desempenhar um papel determinante na mitigação do risco de cheias, na garantia do abastecimento de água e na adaptação às alterações climáticas.
A posição surge na sequência de um relatório técnico elaborado pela OE sobre a gestão da bacia do Mondego, entregue ao Governo após as cheias registadas no início de 2026. O documento sustenta que a atual capacidade de regularização do sistema se revelou insuficiente para fazer face aos caudais extremos verificados durante os episódios meteorológicos de janeiro e fevereiro, que culminaram, entre muitos outros danos, na rutura do dique do leito central do Mondego.
Segundo a Ordem, os acontecimentos recentes evidenciaram as limitações da Barragem da Aguieira para responder por si só a eventos hidrológicos de grande intensidade. O relatório recomenda que esta infraestrutura opere, de forma permanente, com níveis de armazenamento inferiores aos atuais, idealmente abaixo da cota 117 metros e em situações específicas até aos 110 metros. Desta forma, deverá ser criada uma reserva de capacidade que permita amortecer afluências súbitas e reduzir a necessidade de descargas significativas para jusante.
Contudo, a diminuição do volume armazenado na Aguieira implica uma menor disponibilidade de água para períodos de seca. Neste contexto, a OE considera a Barragem de Girabolhos um complemento estratégico do sistema, assegurando reservas adicionais que permitam conciliar a proteção contra cheias com a garantia de abastecimento público, a atividade agrícola e os caudais ambientais.
A análise técnica enquadra ainda esta solução no contexto da adaptação às alterações climáticas. A Ordem considera que a crescente alternância entre fenómenos de precipitação extrema e períodos prolongados de seca exige um reforço da capacidade de regularização da bacia hidrográfica, permitindo responder com maior flexibilidade a cenários hidrológicos cada vez mais exigentes.
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