Câmara de Lisboa vai disponibilizar ‘ficha de resiliência’ dos edifícios

A Câmara de Lisboa vai disponibilizar, “muito em breve”, uma “ficha de resiliência” com informação à população sobre os edifícios, disse a geóloga Cláudia Pinto, que coordena um projeto municipal de promoção da resiliência sísmica.

Em entrevista à agência Lusa, a perita – que coordena o ReSist, programa da Câmara Municipal de Lisboa apresentado publicamente em março – adiantou ainda que os primeiros resultados do estudo de avaliação sobre a resistência sísmica dos edifícios pedido ao Instituto Superior Técnico são esperados no primeiro trimestre do próximo ano.

No mesmo sentido, a Câmara Municipal de Lisboa já havia anunciado a criação da aplicação AGEO – Plataforma Atlântica para a Gestão do Risco Geológico, através da qual as pessoas vão poder reportar situações de risco que se localizem nas imediações da zona onde residem, estudam ou trabalham.

Mais do que os riscos geológicos “mais conhecidos”, como sismos, tsunamis ou deslizamentos de terra, a autarquia pretende envolver a população na deteção dos riscos típicos do contexto urbano, que resultam, por exemplo, da construção de casas ou de túneis.

“Tudo isso descomprime o solo e às vezes tem efeitos à superfície”, visíveis, por exemplo, nos “muitos edifícios com fissuras” ou “abatimentos no pavimento”, referiu a geóloga.

A cidade de Lisboa “é muito vulnerável”, com exceção das zonas onde existem formações rochosas (calcário, basalto), descreveu, acrescentando a agravante de ter sido “muito explorada para recursos não-minerais”, com “uma cartografia com imensos areeiros e pedreiras”, aterros e “aluviões por todo o lado”.

A aplicação – que já se encontra disponível, mas ainda está em período de testes e só será divulgada de forma mais massificada a partir de janeiro – visa motivar a população para o alerta, para “não se andar sempre atrás do prejuízo”, assumiu Cláudia Pinto.

“Normalmente, só se reage quando acontece, de facto, algum acidente, e a nossa ideia é dotar o cidadão de ferramentas que nos possam ajudar a monitorizar situações e a atuar proativamente”, justificou.

Pretende-se, assim, monitorizar situações a uma escala maior, para antecipar problemas: “Queremos uma cidade resistente e segura e isso exige o esforço de vários setores”, sublinhou.

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