Licenciamento de novos fogos atinge máximo desde 2011

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Christina Genet
O Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou no passado dia 17 de julho uma análise detalhada da evolução do setor da construção em 2025.
O setor da construção e da habitação manteve uma trajetória de crescimento em 2025, destacando-se o aumento do número de fogos licenciados, e a valorização dos preços da habitação e das rendas. Os dados constam da publicação Estatísticas da Construção e Habitação 2025, divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
A construção nova continuou a dominar a atividade em 2025, representando 76,1 % do total de licenciamentos, enquanto as obras de demolição corresponderam a apenas 4,9 %. Os edifícios destinados à habitação familiar aumentaram 3,8 %, passando a representar 62,1% do total de edifícios licenciados.
O principal indicador da atividade foi, contudo, o número de fogos licenciados, que atingiu 48 844 unidades, um crescimento de 14,6 % face ao ano anterior e o valor mais elevado desde 2011. Deste total, 42 066 destinaram-se a construções novas para habitação familiar, o que representa um aumento anual de 18,9 %.
Em sentido inverso, o número de edifícios concluídos registou uma ligeira diminuição. O INE estima que tenham sido concluídos 16 964 edifícios em 2025, menos 3,0 % do que no ano anterior. Ainda assim, o número de fogos concluídos aumentou 8,7 % para 30 425 unidades.
A reabilitação urbana perdeu peso relativo na atividade licenciada. Em 2025 foram licenciados 4 961 edifícios para reabilitação, menos 0,9 % do que em 2024. Nos últimos cinco anos, a sua representatividade no conjunto das obras de edificação diminuiu de 22,0 % para 19,9 %, enquanto a construção nova reforçou a sua posição, passando a representar 80,1 % das obras licenciadas e 82,0 % das obras concluídas.
Em paralelo, os preços da habitação continuaram a subir em 2025. O preço mediano nacional fixou-se nos 2076 euros por metro quadrado, mais 16,8 % do que em 2024. As sub-regiões da Grande Lisboa (3439 €/m²), Algarve (3139 €/m²), Península de Setúbal (2596 €/m²), Região Autónoma da Madeira (2500 €/m²) e Área Metropolitana do Porto (2305 €/m²) mantiveram valores acima da média nacional. Lisboa destacou-se como o município mais caro do país, com um preço mediano de 4875 €/m².
Também o mercado de arrendamento registou uma evolução positiva. A renda mediana dos 149 628 novos contratos celebrados em 2025 atingiu 9,29 €/m², refletindo um aumento anual de 9,7 %. A Grande Lisboa concentrou mais de um quarto dos novos contratos de arrendamento e registou igualmente a renda mediana mais elevada do país, com 16,88 €/m².
Os dados do INE revelam um setor da construção impulsionado pelo forte crescimento do número de fogos licenciados e pela continuidade da procura no mercado imobiliário. Ainda assim, a redução do número de edifícios concluídos e o menor peso da reabilitação urbana evidenciam alguns dos desafios que continuam a marcar a evolução da atividade.
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