Licenciamento de edifícios recua no 2º trimestre de 2026 segundo INE

FOTO DEROSEH/ PXABAY
Christina Genet
Apesar da redução do número de edifícios licenciados, a habitação nova ganhou dinamismo, com cerca de 7,4 mil fogos concluídos.
O mercado da construção apresentou sinais mistos no segundo trimestre de 2026. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de edifícios licenciados em Portugal voltou a diminuir, mas a quebra foi menos acentuada do que no início do ano. Em paralelo, a habitação nova ganhou dinamismo, tanto no licenciamento como na conclusão de fogos.
Entre abril e junho foram licenciados cerca de 6,2 mil edifícios, menos 7,1 % do que no mesmo período de 2025. Embora negativo, este resultado representa uma melhoria face à redução de 9,7 % registada no primeiro trimestre. Foram licenciados mais 5,6 % de edifícios de construção nova, enquanto as obras de reabilitação diminuíram 11,9 %.
A evolução regional continua, contudo, bastante desigual. O Norte manteve-se como a principal região em termos de atividade de licenciamento, concentrando cerca de 40 % dos edifícios e das construções novas licenciadas. O Centro manteve igualmente uma posição de destaque.
Apesar da contração global do licenciamento, o segmento residencial apresenta uma evolução mais favorável. O número de fogos licenciados em construções novas para habitação familiar aumentou 10,8 % face ao segundo trimestre de 2025, invertendo a tendência negativa observada nos primeiros três meses do ano. A Região Autónoma da Madeira e a Grande Lisboa concentraram os aumentos mais marcados.
Outro indicador relevante foi a área total licenciada, que cresceu 24,2 % em termos homólogos. Este aumento foi particularmente expressivo no Alentejo, influenciado por projetos de grande dimensão na área industrial, no município de Sines.
Mais fogos concluídos e mais área construída
Do lado da conclusão de obras, o cenário é igualmente de recuperação parcial. No segundo trimestre foram concluídos cerca de 3,9 mil edifícios, menos 4,2 % do que um ano antes. As construções novas continuaram a representar a maioria dos edifícios concluídos, enquanto a reabilitação registou um crescimento ligeiro.
A principal nota positiva surge na habitação: foram concluídos cerca de 7,4 mil fogos em construções novas para habitação familiar, mais 11,6 % em termos homólogos. O crescimento foi particularmente expressivo na Região Autónoma dos Açores, no Norte e na Grande Lisboa, enquanto algumas regiões, como o Oeste e Vale do Tejo e o Algarve registaram reduções.
A área total construída acompanhou esta evolução, aumentando 11,7 % face ao segundo trimestre de 2025. O crescimento foi especialmente significativo no Alentejo, onde esteve associado, entre outros fatores, à conclusão de projetos hoteleiros e de turismo rural.
Os dados do INE apontam, assim, para um mercado que continua a enfrentar uma redução do número global de edifícios licenciados e concluídos, mas que revela sinais mais positivos no segmento da habitação nova. A subida simultânea do número de fogos licenciados e concluídos sugere uma dinâmica residencial mais robusta, apesar das diferenças marcadas entre regiões e entre tipologias de obra.
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