Licenciamento abranda no arranque de 2026, mas construção concluída recupera

FOTO RAMILLU/ PIXABAY

Christina Genet

O mais recente relatório do INE sobre o mercado da construção em Portugal analisa a evolução das obras licenciadas e concluídas no primeiro trimestre de 2026.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos ao primeiro trimestre de 2026 revelam uma nova redução da atividade de licenciamento, enquanto os indicadores da construção concluída evidenciam uma recuperação moderada, refletindo a concretização de projetos iniciados em períodos anteriores.

Entre janeiro e março foram licenciados cerca de 6,5 mil edifícios, menos 10,9 % do que no mesmo período de 2025. A quebra foi transversal às construções novas e às obras de reabilitação, apesar de, em ambos os casos, o ritmo de descida ter abrandado face ao trimestre anterior. Ainda assim, em termos trimestrais, o número de edifícios licenciados aumentou 9,6 %.

No segmento residencial, foram licenciados 10,3 mil fogos em construções novas para habitação familiar, o que representa um recuo homólogo de 3,1 %, interrompendo o crescimento de 16,9 % registado no último trimestre de 2025. A evolução foi, contudo, bastante diferenciada entre regiões. A Península de Setúbal destacou-se com um crescimento de 80,9 %, impulsionado sobretudo pelos municípios de Setúbal, Montijo e Seixal, enquanto a Grande Lisboa registou uma quebra de 46 %.

Também a área total licenciada diminuiu 13,5 % em termos homólogos. O Alentejo constituiu a principal exceção, com um crescimento de 68,3 %, influenciado pelo licenciamento de empreendimentos turísticos no concelho de Grândola. O Norte manteve a liderança nacional em volume de licenciamento, concentrando cerca de 38 % dos edifícios licenciados e quase metade dos fogos destinados à habitação familiar.

Em sentido inverso, estima-se que tenham sido concluídos 3,9 mil edifícios no primeiro trimestre, mais 1,5 % do que no período homólogo, invertendo a tendência de queda observada no final de 2025. As construções novas representaram mais de 80 % do total das obras concluídas.

No mercado habitacional, o número de fogos concluídos em construções novas aumentou 3,7%. O desempenho foi impulsionado sobretudo pelo Alentejo (+20,8 %) e pelo Norte (+18,2 %), embora várias regiões tenham registado reduções, incluindo a Grande Lisboa (-8,1 %) e a Península de Setúbal (-16,2 %).

Outro indicador relevante foi o aumento de 7,7 % da área total construída, evidenciando que, apesar da desaceleração do licenciamento, os projetos em execução continuam a sustentar a atividade do setor. No conjunto, os resultados apontam para um mercado que enfrenta um abrandamento na entrada de novos investimentos, mas que mantém níveis de execução sólidos, apoiados pela carteira de obras já em desenvolvimento.

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