Estratégia de arrefecimento dá prioridade a soluções passivas

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Margarida Caferra
Reduzir as necessidades de arrefecimento dos edifícios através do isolamento, sombreamento solar, janelas eficientes e ventilação natural noturna deve anteceder a instalação de sistemas mecânicos. Esta abordagem é defendida por Joana Fernandes, da ADENE e coordenadora do projeto europeu LIFE Plan4COLD, que apoia municípios do sul da Europa no planeamento sustentável do aquecimento e arrefecimento.
Lares e unidades de cuidados continuados, escolas e edifícios públicos estão entre as construções que devem ser prioritárias nas intervenções de arrefecimento no sul da Europa, segundo Joana Fernandes, da ADENE e coordenadora do projeto LIFE Plan4COLD.
Nos edifícios destinados a idosos, a prioridade está relacionada com a vulnerabilidade dos ocupantes ao calor extremo. Nas escolas, as intervenções podem facilitar a replicação das soluções noutros edifícios, enquanto o parque público permite às autoridades avançar diretamente com obras de renovação e criar casos de referência para o setor privado.
Envolvente deve reduzir necessidades de arrefecimento
A estratégia assenta na combinação de medidas passivas e ativas, mas estabelece uma ordem de intervenção. As primeiras devem atuar sobre a envolvente do edifício, através de isolamento, proteção solar, janelas eficientes e ventilação natural durante a noite. O objetivo é limitar os ganhos térmicos através do projeto do edifício antes de recorrer ao arrefecimento mecânico.
As soluções ativas surgem numa segunda fase e incidem sobre o funcionamento dos edifícios. A abordagem prevê a utilização de tecnologias energeticamente eficientes e baseadas em energias renováveis, complementadas por sistemas de controlo capazes de ajustar o funcionamento à ocupação e às necessidades de conforto.
Mais do que acrescentar capacidade de arrefecimento, a estratégia procura reduzir a necessidade de o utilizar, uma questão considerada particularmente relevante nas cidades do sul da Europa perante o aumento da exposição ao calor.
Municípios portugueses integram projeto
O Plan4COLD pretende apoiar autoridades locais e regionais na elaboração de Planos Locais Sustentáveis de Aquecimento e Arrefecimento para municípios com mais de 45 mil habitantes. O projeto responde às especificidades do sul da Europa, onde as necessidades de arrefecimento são significativamente superiores às de aquecimento e exigem uma abordagem distinta de outras regiões europeias.
Em Portugal, a ADENE presta apoio técnico direto aos municípios de Vila Real, Guimarães, Évora e Loulé, incluindo a criação de comunidades de prática locais, ações de capacitação e preparação dos respetivos planos. O projeto abrange também Itália e Grécia, contando ainda com regiões das Astúrias, em Espanha, e de Kvarner, na Croácia, que acompanham os trabalhos.
O Plan4COLD decorre entre outubro de 2024 e setembro de 2027 e dispõe de um orçamento global de cerca de 1,72 milhões de euros, financiado através do programa LIFE. Entre os principais resultados previstos estão uma metodologia e ferramentas para a elaboração dos planos locais, ações de formação dirigidas aos agentes locais e recomendações para políticas públicas.
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