Condicionamento acústico e vibrátil de equipamentos de AVAC em edifícios habitacionais – caso de estudo

DR

Com a transição energética que temos assistido nos últimos anos, e com o objetivo de melhorar as condições de conforto térmico nos edifícios, o número de equipamentos de AVAC em edifícios habitacionais tem vindo gradualmente a aumentar, nomeadamente as bombas de calor e os sistemas de ar condicionado do tipo multi-split.

Para sistemas mais simples de baixa potência térmica, a emissão de ruído para o exterior é geralmente aceitável, mas para sistemas de maior potência, como acontece frequentemente em habitações de grande dimensão, onde é cada vez mais frequente a instalação de bombas de calor, a emissão de ruído das unidades exteriores pode ser exagerada.

Por exemplo, se analisarmos os níveis de potência sonora indicados por marcas conceituadas, poderemos verificar que para um sistema multi-split de potência térmica não superior a 10 kW, viável geralmente para habitações até tipologias T3, o nível de potência sonora geralmente não ultrapassa 65 dB(A). No caso de bombas de calor ou sistemas do tipo VRV (ou VRF), com potências térmicas acima de 30 kW, o nível de potência sonora situa-se geralmente acima de 75 dB(A). Neste contexto, é apresentado nesta coluna um caso de estudo de uma grande moradia (com cerca de 700 m2 de área útil), com uma área técnica exterior destinada a duas bombas de calor, cada uma delas com um nível de potência sonora de 78 dB(A) e uma potência térmica (de aquecimento) próxima de 36 kW. 

Na Figura 1 são apresentadas duas fotografias da referida área técnica em estudo, uma registada antes da intervenção (lado esquerdo) e outra após implementação das soluções de condicionamento acústico e vibrátil propostas (do lado direito). Na Figura 2 são apresentadas, de forma esquemática, estas soluções de minimização de ruído e vibrações, que consistiram essencialmente na aplicação de apoios antivibratórios na base das bombas de calor, de atenuadores sonoros nas quatro saídas de ventilação, sobre as bombas de calor, no revestimento fonoabsorvente na envolvente, em zonas livres de paredes existentes e em parte do gradil de teto, e na aplicação de septos verticais fonoabsorventes (em ambas as faces), do tipo amovível. 

De acordo com os dados do fabricante das bombas de calor o nível global de potência sonora é de 78 dB(A), por bomba, com um nível de pressão sonora (LAeq) a 10 m igual a 46,5 dB(A). Este nível de pressão a 10 m, é o valor correspondente à propagação em campo livre, que na prática dificilmente acontecerá, pelo que não deve ser diretamente utilizado para avaliação do ruído transmitido para o exterior. Da análise da Figura 3, com o funcionamento simultâneo das duas bombas de calor, é possível verificar que efetivamente o valor de LAeq a 10 m de distância, que neste caso resultou próximo de 55 dB(A), é substancialmente superior ao valor anunciado pelo fabricante (49,5 dB(A) para o conjunto dos dois equipamentos). A curta distância, neste caso a partir da média de um conjunto de seis pontos em redor das duas bombas de calor, sensivelmente a 1,5 m de distância, o valor de LAeq é próximo do valor calculado a partir da potência sonora, em campo livre, com uma diretividade igual a 2.  (...)

Leia o artigo completo na Construção Magazine 130, novembro/ dezembro de 2025 

FOTO DA MONTRA AASING GWOK/ UNSPLASH

Diogo Mateus

Membro do Conselho Científico da Construção Magazine / Professor na UC

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