Estudo do CE3C demonstra o impacto positivo da renaturalização urbana

D.R.
Christina Genet
O trabalho de investigação destaca, nomeadamente, o potencial da criação de sombra e de soluções de desimpermeabilização nas cidades.
As soluções verdes podem reduzir até 40 % do stress térmico urbano. Um grupo de investigadores do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C), da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, chegou recentemente a essa conclusão num estudo que acaba de ser publicado na revista Landscape and Urban Planning.
O trabalho de investigação incidiu sobre a Área Metropolitana de Lisboa e Islamabad no Paquistão, e foi realizado ao longo de três anos, envolvendo representantes de diferentes municípios, especialistas do setor da governação climática e académicos. Os investigadores do CE3C Tiago Capela Lourenço e Inês Gomes Marques lideraram o projeto.
De acordo com os resultados do estudo, intervenções como o aumento de áreas verdes, a plantação de árvores e a remoção de superfícies impermeabilizadas podem reduzir significativamente o stress térmico nas populações urbanas. A criação de sombra e, consequentemente, a redução da temperatura das superfícies urbanas têm um efeito especialmente notável. No entanto, os benefícios tendem a ser localizados, diminuindo rapidamente fora das áreas intervencionadas.
Os resultados mostram também que diferentes estratégias produzem impactos distintos, destacam os investigadores. Durante o dia, as árvores são particularmente eficazes na redução das temperaturas, sobretudo quando estão presentes em áreas alargadas e contínuas. Já durante a noite, a remoção de superfícies impermeabilizadas tem um maior efeito na redução das temperaturas, podendo reduzir entre 10 % e 20 % o número de dias com stress térmico.
Por fim, a equipa de investigação alerta que, apesar dos efeitos positivos das soluções baseadas na natureza, estas não são suficientes para compensar os impactos futuros das alterações climáticas, limitando-se a atenuar o agravamento do calor urbano. Ainda assim, os autores do estudo sublinham que são essenciais para prevenir, desde já e a curto prazo, os impactos das alterações climáticas, devendo ser priorizadas em zonas densamente povoadas.
Outros artigos que lhe podem interessar