Projeto de túnel imerso entre Santos e Guarujá avança no Brasil

FOTO SHIREEN CH/ PIXABAY
Christina Genet
A infraestrutura será constituída por módulos de betão pré-fabricado e integrará seis vias rodoviárias, uma via ciclável e uma passagem pedonal.
A construção do primeiro túnel imerso do Brasil deverá arrancar em 2027, no âmbito de uma Parceria Público-Privada entre o Governo Federal brasileiro e o Governo do Estado de São Paulo. O projeto, avaliado em cerca de 6,8 mil milhões de reais (1,15 mil milhões de euros), prevê uma ligação permanente entre Santos e Guarujá na Baixada Santista.
Com cerca de 900 metros de extensão, o túnel será instalado sob o leito do canal que separa os dois municípios. A solução construtiva assenta em módulos de betão pré-fabricado que serão instalados sob o fundo do canal para formar a ligação entre as duas margens. Embora seja utilizada em diversos projetos internacionais, esta tecnologia é inédita no Brasil.
A infraestrutura terá seis vias rodoviárias, três em cada sentido, uma via ciclável e uma passagem pedonal. O projeto contempla ainda espaço reservado para uma futura ligação por Veículo Ligeiro sobre Carris (VLT).
Atualmente, a ligação entre Santos e Guarujá é assegurada sobretudo por ferry, um serviço que transporta cerca de 14 mil veículos por dia. Segundo os dados do projeto, o novo túnel deverá beneficiar diretamente mais de 720 mil habitantes e melhorar a mobilidade de cerca de dois milhões de pessoas na região. Durante a construção, estima-se a criação de aproximadamente 9 mil empregos diretos e indiretos.
A infraestrutura é também apontada como relevante para as ligações ao Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina, contribuindo para reduzir os constrangimentos à mobilidade e reforçar a eficiência logística da região.
A Quadrante integra o consórcio contratado pela Concessionária TSG, responsável pela construção e operação do túnel e da qual a Mota-Engil é acionista. A empresa portuguesa atuará como Owner's Engineer, prestando apoio técnico à concessionária ao longo do desenvolvimento do projeto.
As funções previstas incluem a revisão técnica dos projetos, a supervisão da empreitada, a gestão de interfaces, o planeamento e a coordenação global, o controlo da qualidade, a gestão documental, o BIM, o PMO e o reporte executivo.
Com o contrato de PPP assinado em 2026, o empreendimento encontra-se em fase de desenvolvimento executivo, licenciamento complementar e preparação da obra. O calendário divulgado prevê o início da construção em 2027, a conclusão em 2030 e a entrada em operação comercial em 2031.
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