IP implementa projeto-piloto para alerta antecipado de cheias

D.R.
Christina Genet
Os diferentes sensores foram instalados na EN378, que liga Seixal a Sesimbra. O projeto pretende reforçar a segurança rodoviária através de um sistema de monitorização inteligente, capaz de dar uma resposta eficaz a eventos climáticos extremos.
No passado dia 21 de janeiro, poucos dias antes da passagem da tempestade Kristin – que deixou partes da região Centro em estado de calamidade – a Infraestruturas de Portugal (IP) divulgou um projeto-piloto destinado a reforçar a capacidade de resposta a eventos climáticos extremos. Trata-se de uma solução de monitorização contínua da rede rodoviária com sistema de alerta antecipado, baseada em tecnologias autónomas, que visa reduzir o risco de interrupções da circulação, de danos em infraestruturas e de custos associados a operações de emergência.
Neste contexto, foi instalado um sistema inteligente de monitorização hidrometeorológica na EN378 que liga o Seixal a Sesimbra, numa zona identificada como particularmente sensível devido à recorrência de cheias repentinas. A IP detalha que o sistema integra três equipamentos complementares que funcionam de forma articulada: “Um sensor de radar, instalado nas imediações do rio Judeu, permite medir com elevada precisão a altura da lâmina de água e monitorizar o caudal.”
Rumo a uma rede de monitorização hidrometeorológica
Além disso, foi instalado um sensor de contacto “na berma da EN378, ao nível do pavimento, com capacidade para detetar a presença direta de água na via”, clarifica a IP. O sistema inclui ainda uma estação meteorológica, capaz de recolher dados como precipitação, vento, pressão atmosférica e humidade, permitindo “correlacionar a intensidade da chuva com o comportamento hidrológico local”.
Os dados recolhidos são posteriormente processados para análise de padrões nos locais monitorizados. Está também previsto um levantamento aerofotogramétrico com recurso a drone (VANT). A IP explica que a “informação recolhida permitirá identificar linhas de drenagem, definir cotas relevantes e analisar padrões de escoamento superficial”, otimizando assim a interpretação dos dados provenientes dos sensores.
Caso os resultados do projeto-piloto sejam positivos, a IP prevê alargar esta solução a outros pontos da rede rodoviária nacional onde se verifique a recorrência de fenómenos de inundação, criando uma rede integrada de monitorização hidrometeorológica.
Outros artigos que lhe podem interessar