Conversas com Maria Fernanda Rodrigues

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Conversas com Maria Fernanda Rodrigues
Entrevista por Christina Genet | Fotografia por João Oliveira
 

Maria Fernanda Rodrigues é professora auxiliar com agregação no Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro, onde desenvolve atividade de ensino e investigação nas áreas da gestão da construção, reabilitação de edifícios, metodologia BIM e eficiência energética. Doutorada em Engenharia Civil e autora de numerosas publicações científicas, é também perita qualificada em desempenho térmico de edifícios.

Entre janeiro de 2023 e abril de 2024 exerceu funções como Secretária de Estado da Habitação no XXIII Governo Constitucional, tendo participado na definição de políticas públicas para o setor da habitação e da construção, nomeadamente no desenvolvimento do futuro Código da Construção, das políticas de implementação do BIM e da Plataforma Eletrónica dos Procedimentos Urbanísticos (PEPU).

Atualmente, é administradora executiva da MatosinhosHabit, empresa municipal de habitação de Matosinhos, conciliando esta função com a sua atividade académica e de investigação.

Como tem evoluído ao longo da sua carreira a forma como os projetos de construção incorporam as preocupações relacionadas com as alterações climáticas?

Há já muitos anos que nos preocupamos com as questões da sustentabilidade e com o impacto que as alterações climáticas têm no ambiente construído. Atualmente, um dos eixos estratégicos da União Europeia passa precisamente por tornar a Europa mais segura, mais sustentável e mais resiliente. E, neste contexto, a Engenharia Civil tem um papel preponderante a desempenhar. Porquê? Porque é uma área com um campo de atuação extremamente vasto, tanto ao nível das superestruturas como das infraestruturas. Intervimos em todo o ambiente construído e, por isso, não podemos olhar apenas para os edifícios e para as infraestruturas de forma isolada. É funda­ mental considerar também todas as interligações e relações que existem entre os diferentes sistemas. As consequências das alterações climáticas devem ser analisadas não apenas do ponto de vista dos impactos físicos, mas também das suas dimensões económica e social. Neste âmbito, a Engenharia Civil assume um papel determinante, quer através da investigação, quer através da intervenção no território, contribuindo para tornar o parque edificado mais seguro e mais resiliente face a estes desafios. Nos últimos anos, os estudantes que concluem o mestrado em Engenharia Civil saem, sem dúvida, muito mais bem preparados e muito mais sensibilizados para responder aos desafios colocados pelas alterações climáticas. Os próprios currículos evoluíram. Na Universidade de Aveiro, por exemplo, foi introduzida uma unidade curricular dedicada à sustentabilidade na construção e à sustentabilidade dos materiais de construção. Porque a sustentabilidade não se resume ao que construímos. Aquilo que construímos resulta de toda uma cadeia a montante, que começa na extração dos recursos, passa pela sua transformação e culmina na sua aplicação. Por isso, quem concebe um projeto, seja de construção nova ou de reabilitação, não pode pensar apenas na fase de execução. Tem de começar logo por integrar estas preocupações na fase de conceção. É nesse momento que devemos questionar quais são as melhores soluções, que materiais devem ser utilizados e que quantidade de recursos será necessária. É precisamente na fase de conceção, em conjunto com toda a equipa de projeto, que temos a maior oportunidade para optar por soluções de menor impacto ambiental, recorrer a materiais com menor pegada carbónica e privilegiar soluções construtivas mais eficientes e sustentáveis.

Portugal foi atingido no início do ano por uma série de tempestades que causaram danos significativos no parque edificado, em particular na região Centro do país. Estes acontecimentos marcam uma nova fase no que diz respeito aos requisitos que devem ser considerados nos projetos de engenharia civil?

Segundo os especialistas em clima, já entrámos numa fase em que a probabilidade de ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos é muito elevada. Por isso, temos de estar preparados para essa realidade. Dispomos de regras, códigos e regulamentos, nomeadamente os Eurocódigos, que enquadram a atividade dos projetistas, em particular no dimensionamento de estruturas. As tempestades também nos devem obrigar a olhar para a qualidade do nosso parque edificado. Uma construção corretamente projetada e executada terá, naturalmente, maior capacidade para responder a situações extremas. Por isso, antes de concluirmos que precisamos simplesmente de regulamentação mais exigente, temos de garantir que

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