Estudo avalia o potencial fotovoltaico nas autoestradas

Christina Genet

Ao analisar 77 % de rede de autoestradas, o relatório da ADENE e do Instituto Superior Técnico estima um potencial total de instalação de 13,7 GW.

Num estudo divulgado a 30 de dezembro, o Observatório da Energia da ADENE, em parceria com o Instituto Superior Técnico, analisou o potencial técnico-económico da instalação de sistemas fotovoltaicos nas autoestradas portuguesas. Numa área total de 538 km², o trabalho de investigação incidiu sobre espaços como nós de acesso, áreas de serviço, pórticos de portagens, barreiras acústicas, taludes de escavação e taludes de aterro.

Os resultados são promissores: ao avaliar cerca de 77 % da rede de autoestradas, o estudo estima um potencial total de instalação de 13,7 GW e uma geração de 17,9 TWh/ano. No entanto, para atingir estes valores são necessários investimentos adicionais.

O relatório sublinha que, tendo em conta a capacidade de ligação disponível e sem um aumento dos investimentos dedicados, a capacidade efetiva é, na realidade, de 1,3 GW o que poderia contribuir com 1,7 TWh anuais de eletricidade. Este valor corresponde a 6 % da capacidade instalada de energia fotovoltaica e a 22 % de fotovoltaico descentralizado. Com um período médio de retorno de investimento de sete anos e um custo atualizado de eletricidade equivalente a 56 €/MWh, o grupo de investigadores conclui que as autoestradas apresentam um potencial elevado para este tipo de iniciativa.

Para além de poder contribuir de forma significativa para a produção de energia limpa, esta solução permite valorizar áreas de solo sem outros usos possíveis, evitando a ocupação de terrenos agrícolas. Além disso, o desenvolvimento deste tipo de sistemas poderá constituir um serviço associado às conceções das autoestradas, permitindo melhorar a rentabilidade das suas concessões. Os nós de acesso e as áreas de serviço foram identificadas como localizações prioritárias, onde a instalação fotovoltaica poderia ser integrada com postos de carregamento elétrico.

Por fim, o estudo apresenta recomendações de políticas públicas destinadas a facilitar a instalação de sistemas fotovoltaicos nas autoestradas, nomeadamente o estabelecimento de regulamentação e normas técnicas claras que garantam a segurança e a eficiência dos projetos. Sugere ainda o desenvolvimento de projetos-piloto para testar diferentes tecnologias e sistemas fotovoltaicos, bem como a definição de zonas prioritárias de energia renovável ao longo das autoestradas.

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