O risco sísmico em Portugal e o papel do seguro na sua proteção

FOTOGRAFIA GRANITO/ PIXABAY

Ao contrário de muitos outros países, Portugal não tem qualquer sistema nacional estruturado para promover e gerir uma proteção financeira ex-ante e ex-post das empresas e cidadãos em caso de ocorrência de eventos de natureza catastrófica, nomeadamente em caso de um sismo de média ou grande magnitude.

Os eventos de natureza catastrófica que, em geral, têm suscitado uma maior atenção das autoridades, da academia e da sociedade em geral, são os que ocorrem com maior frequência, mas que apresentam, apesar de tudo, menor severidade, quando a verdadeira preocupação deve estar no risco sísmico.

Com efeito, cada tipo de catástrofe tem características distintas, ou seja, os sismos são tipicamente eventos de muito baixa frequência, mas com impacto humano, económico e social muito elevado; outro tipo de eventos como tempestades, furacões e inundações têm frequência mais elevada, mas com impacto menos intenso.

Estudos da resseguradora Swiss Re mostram o significativo impacto no PIB de países recentemente afetados por grandes sismos – o sismo no Chile em 2010 gerou impactos equivalentes a 15 % do PIB; e na Nova Zelândia em 2011 com impacto também de 15 % no PIB – e estima que um sismo como o de 1755 em Lisboa teria um impacto de 20 % no PIB português.

Importa ainda referir que Portugal no seu todo, está exposto a um risco relevante de fenómenos sísmicos, e é aceite pela comunidade científica que um sismo será a catástrofe natural potencialmente mais gravosa para a sociedade e para a economia do nosso país. As análises técnicas sobre este risco no nosso país permitem-nos concluir que o risco sísmico no continente é, em geral, elevado, mas assume maior relevância nas zonas litorais, ou seja, precisamente aquelas onde se verificam as maiores concentrações demográficas. De resto é importante salientar que Lisboa é a segunda capital europeia com maior exposição ao risco sísmico, e conhecida pelos grandes sismos em 1531 e 1755.

Para além destes dois grandes sismos em Lisboa, Portugal tem sofrido ao longo da sua história as consequências de outros sismos de magnitude moderada ou forte, que resultaram em danos patrimoniais e pessoais importantes em várias vilas e cidades do nosso país – cabe referir por exemplo sismos em Setúbal (1858), em Benavente (1909), cabo São Vicente (1969) ou nos Açores (1980 e 1998).

A APS tem efetuado ao longo dos anos vários estudos e análises sobre o risco sísmico em Portugal, que mostram que, independentemente de haver zonas de maior ou menor risco, o sismo aonde ocorrer, se for de intensidade moderada ou forte, terá a potencialidade de paralisar ou condicionar seriamente a atividade de todo o país. (...)

Autor José Galamba
Presidente da Associação Portuguesa de Seguradores

Leia o artigo completo na Construção Magazine 130, novembro/ dezembro de 2025 dedicada ao tema "Segurança sísmica do edificado"

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