Relatório do INE destaca disparidades nas condições habitacionais das famílias

FOTO DMITRII E./ UNSPLASH
Christina Genet
Os resultados do Inquérito às condições de vida e rendimento destacam que o custo das obras é o principal fator que impede as famílias a renovarem a sua habitação.
Mais da metade dos alojamentos familiares construídos antes de 1960 não foram alvo de obras de renovação destinadas a melhorar a eficiência energética, apesar de tal ser necessário. Esta é uma das principais conclusões do Inquérito às condições de vida e rendimento das famílias realizado em 2025, cujos resultados foram divulgados no passado dia 20 de março pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Em contrapartida, mais de um quinto das famílias que residem em alojamentos construídos após 2015, beneficiou de pelo menos dois tipos de medidas de renovação. Com 90,1 % de respostas neste sentido, custo financeiro constitui o principal motivo apontado pelas famílias para a não realização das renovações necessárias, em particular entre aquelas que vivem em risco de pobreza.
O estudo do INE evidencia ainda uma relação entre a data de construção das habitações e as condições de vida das famílias: 30,1 % dos alojamentos construídos antes de 1945 são ocupados por agregados familiares em risco de pobreza, enquanto esta proporção desce para 11,4 % nos alojamentos construídos após 2015. Segundo os resultados dos Censos 2021, cerca de 14 % das habitações familiares principais foram construídas antes de 1960, 65 % entre 1961 e 2000 e os restantes 21 % entre 2001 e 2021.
A população em risco de pobreza é ainda mais afetada por danos na habitação causados por fatores ambientais ou meteorológicos, revela o inquérito: 7,5 % contra 6,9 % entre as pessoas que vivem acima do limiar de pobreza. Por outro lado, ter crianças constitui outro fator determinante nas condições habitacionais, tanto do ponto de vista físico como financeiro, destaca o INE.
As respostas ao inquérito mostram que os agregados familiares com crianças dependentes e os agregados em situação de pobreza vivem em condições mais desfavoráveis do que os restantes. As taxas de sobrelotação e de privação habitacional severa nas famílias com crianças são cerca de quatro vezes superiores às registadas nos agregados sem crianças.
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