Estudo da Imovirtual alerta para subida do valor da entrada na compra de casa

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Christina Genet
Segundo o estudo, o aumento do preço de venda das habitações na maioria das regiões portuguesas agravou o esforço inicial exigido aos compradores.
Num relatório publicado a 5 de fevereiro, a Imovirtual faz uma constatação clara: “O maior obstáculo à compra de casa em Portugal surge logo no primeiro passo do processo: o valor necessário para a entrada inicial.” Este diagnóstico não surge por acaso. De acordo com os dados do portal imobiliário, o aumento dos preços médios da habitação entre 2024 e 2025 agravou o esforço financeiro exigido aos compradores.
Embora a maioria dos bancos em Portugal financie até 80 % do valor do imóvel, muitos agregados familiares veem-se obrigados a reunir cerca de 20 % do preço de compra logo à partida. A Imovirtual registou subidas dos preços de venda em 25 das 29 regiões analisadas, incluindo o continente e as Regiões Autónomas, o que se traduziu num aumento direto dos montantes necessários para a entrada.
O preço médio de venda de habitações em Lisboa passou de 514 500 euros em 2024 para 644 000 euros em 2025, o que representa um aumento de 25,2 %. Neste contexto, uma entrada de 20 % exige atualmente cerca de 128 000 euros, ou seja mais 25 900 euros do que no ano anterior. Em Faro, o preço médio de venda subiu 20 %, elevando o valor da entrada para cerca de 107 000 euros. Apesar de um crescimento mais moderado de 9,7 % no Porto, o preço médio fixou-se nos 401 500 euros, o que resultou num aumento da entrada na ordem dos 7 090 euros. Distritos como Aveiro, Braga e Leiria seguem uma tendência semelhante.
No entanto, nem todas as regiões registaram aumentos tão significativos. Em Castelo Branco, o preço médio subiu 6,7 %, fixando-se nos 91 250 euros, o que corresponde a uma entrada de cerca de 18 250 euros. Já Bragança surge como exceção, ao registar uma ligeira descida de 4,6%, reduzindo o valor exigido para a entrada para 22 900 euros.
O relatório da Imovirtual conclui: “Mais do que o preço final do imóvel, é o valor da entrada que hoje define quem consegue – ou não – dar o primeiro passo no mercado da habitação.”
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