Estudo do BPIE destaca as perceções dos europeus sobre a habitação

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Christina Genet
Mais de metade dos inquiridos considera que os padrões de construção habitacional deveriam ser mais exigentes face às alterações climáticas. Em paralelo, o relatório sublinha uma significativa falta de conhecimento sobre a legislação em vigor.
Edifícios saudáveis e ambientes interiores de qualidade reforçam o bem-estar dos europeus, revela o inquérito “Citizens’ Survey: Healthy Buildings, Healthy Lives 2025” do Buildings Performance Institute Europe (BPIE), em parceria com a VELUX, divulgado no passado dia 11 de março. Cerca de 39 % dos inquiridos consideram que o seu bem-estar físico e mental é significativamente influenciado pelas condições das suas habitações. A mesma perceção verifica-se na relação dos trabalhadores com os seus locais de trabalho.
No entanto, cerca de 45 % dos participantes destacam a falta de adaptação das suas habitações a ondas de calor extremo, enquanto um quarto afirma viver numa casa não preparada para o frio. De forma geral, o relatório evidencia uma preocupação crescente com o conforto e a resiliência das habitações, numa altura em que os efeitos das alterações climáticas já se fazem sentir no continente.
Segundo o inquérito do BPIE, mais de metade dos europeus defende a implementação de regulamentação mais exigente, no que diz respeito à adaptação das habitações a temperaturas elevadas. Apesar desta maior consciencialização, o nível de conhecimento sobre a legislação aplicável aos edifícios continua a ser reduzido: 70 % dos inquiridos afirmam não estar a par dos padrões atuais de edifícios saudáveis.
Tal como já apontado pelo Inquérito às condições de vida e rendimento das famílias 2025, do Instituto Português de Estatística (INE), o BPIE conclui que o custo financeiro constitui a principal barreira à realização de obras de renovação. Outra dificuldade identificada prende-se com a falta de informação sobre soluções adequadas para adaptar as casas ao aumento das temperaturas. Para o instituto de investigação, estes dados sublinham a necessidade de apoios financeiros direcionados e de um melhor acesso a informação fiável.
Apesar de alguma insatisfação manifestada pelos inquiridos, apenas 35 % consideram mudar de casa devido às condições habitacionais. Este resultado poderá explicar-se pela forte ligação das pessoas às suas casas. Por essa razão, a renovação do edificado e a adaptação dos padrões de construção assumem uma importância ainda maior.
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