O Projecto de Substituição dos Tirantes da Ponte Edgar Cardoso

A ponte Edgar Cardoso sobre o rio Mondego foi a primeira ponte de tirantes construída no território europeu de Portugal e abriu ao tráfego em 1982. O seu projecto é da autoria do Professor Edgar Cardoso.

Esta infra-estrutura tem uma extensão total de 1421 m. Compõe-se de dois viadutos de acesso e de uma ponte de tirantes. O tabuleiro da ponte compreende 2 tramos extremos com 90 m cada um e um tramo intermédio, que vence o vão entre as duas torres, com 225 m. Importa referir a existência, a meio do tramo intermédio, de um segmento simplesmente apoiado de tabuleiro, com 30 m de extensão.

Trata-se de uma estrutura mista de aço e betão, suportada por duas torres e por dois pilares de transição. Do topo de cada uma das torres partem 6 pares de tirantes que suspendem as duas vigas principais laterais do tabuleiro em secções equidistantes, afastadas de 30 m entre si. Os tirantes são constituídos por fios paralelos de aço de alta resistência.

A concepção diferenciada desta ponte no contexto da engenharia de estruturas portuguesa e na época histórica em que ela foi construída, bem como a sua inserção numa rede viária de enorme importância económica justificam as preocupações com a sua preservação e manutenção em pleno funcionamento, tal como evidenciam as diversas intervenções a que a ponte foi submetida nos últimos 20 anos. Destacam-se os estudos de reabilitação efectuados entre 1998 e 2001, que conduziram à reabilitação concluída em 2006, e a uma intervenção adicional realizada em 2013 nas bases das torres. Fruto das inspecções periódicas a que a ponte é submetida, constatou-se, nos últimos tempos, a existência de um número crescente de fios lassos e partidos nas zonas próximas das ancoragens no tabuleiro. Esta circunstância conduziu a Infraestruturas de Portugal, SA à decisão de substituir integralmente os tirantes, o que permitirá dotar a ponte de uma segurança acrescida e facilitará quer a manutenção quer a execução de futuras reparações no sistema de atirantamento.

Neste artigo ilustram-se as soluções preconizadas para levar a cabo a substituição dos tirantes, a qual, pela sua especificidade e inúmeras condicionantes – desde a necessidade de minimizar o impacto de qualquer intervenção sobre o comportamento estático da ponte, à exiguidade dos espaços disponíveis para a execução dos trabalhos –, obrigou ao estudo de múltiplas soluções e ao seu refinamento e ajuste, até se encontrarem aquelas que se julga melhor servirem os objectivos da intervenção.

Soluções Projectadas

Como atrás referido, esta ponte foi já objecto de várias intervenções e diversos estudos visando prolongar a sua vida útil, quer adaptando a sua estrutura de modo a conferir-lhe a capacidade de cumprir, com suficiente segurança, os requisitos exigidos pela regulamentação vigente, quer avaliando a possibilidade de alterar o seu sistema estático e a dotá-la, assim, de um funcionamento estrutural mais favorável. Este tipo de modificações tem implicações profundas no modo como a estrutura “responde” às solicitações e uma vez que, em certa medida, introduzem algumas alterações à sua concepção original, têm de ser meticulosamente analisadas. (...)

Em colaboração com Pedro Cabral, Armando Rito Engenharia SA, Luis Xavier, Armando Rito Engenharia SA, e Tiago Abecasis, Tal Projecto Lda

Artigo completo na Construção Magazine nº99 set/out 2020

Armando Rito

Membro do Conselho Científico da Construção Magazine

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