Novidades Introduzidas no Eurocódigo 2 – Parte 1.1, Relevantes para o Projeto de Estruturas de Edifícios de Betão

Neste artigo vão ser abordados três temas de relevância para o projeto de estruturas de betão, particularmente de edifícios, com o objetivo de salientar a introdução de metodologias de análise e de dimensionamento que diferenciam a “NP EN 1992-1-1:2010 - Eurocódigo 2 - Projeto de estruturas de betão - Parte 1-1: Regras gerais e regras para edifícios” (EC2) relativamente ao REBAP. Estes temas, relacionados com (i) os estados limites de utilização (SLS), (ii) a abordagem dos efeitos de 2ª ordem e (iii) o dimensionamento ao esforço transverso, naturalmente correspondem apenas a uma parte limitada do conjunto de novidades que o EC2 introduz relativamente ao REBAP.

É de salientar que, para além da natural evolução científica que ocorreu nas metodologias de análise e de dimensionamento estrutural desde a entrada em vigor do REBAP, um importantíssimo avanço tecnológico ocorreu igualmente ao nível do betão e da armadura, que apresentam hoje resistências características muito superiores às dos anos 80 do século XX. O aumento da resistência do betão permite a conceção de elementos estruturais cada vez mais esbeltos, logo propensos a maiores flechas e a efeitos de 2ª ordem mais severos. Por sua vez, a armadura ordinária é hoje correntemente utilizada com resistências características da ordem de 500MPa (mais do dobro dos 240MPa do aço A24, tão usual há 40 anos atrás), possibilitando assim a utilização de menores áreas de aço nos estados limites últimos (ULS). Mas esta redução das áreas de aço nos ULS induz a que em serviço os correspondentes varões estão agora submetidos a tensões elásticas muito superiores às que se observavam quando o REBAP entrou em vigor, o que induz o aumento da abertura de fendas no betão, acentuando a necessidade de dedicar uma especial atenção à problemática da durabilidade.

Novidades nos estados limites de utilização

Como referido no parágrafo anterior, a importância da limitação em serviço das tensões de tração no aço, do controlo da abertura de fendas e da limitação das flechas, tem-se vindo a acentuar. A sociedade é hoje menos tolerante relativamente a avarias estruturais decorrentes de deficiências nos SLS, pois além de interferirem com a funcionalidade e a estética das construções, a respetiva reparação é habitualmente difícil e dispendiosa.

Os requisitos de verificação de conformidade face a estes SLS estavam já consagrados no REBAP, mas a deteção de avarias em muitas estruturas - algumas delas observáveis pouco tempo após a construção, relacionadas com fendilhação excessiva, e outras após vários anos de funcionamento, associadas a grandes flechas, especialmente em lajes -, conduziu a que no EC2 se registe um significativo aumento das disposições relativas à categorização da agressividade ambiental, ao controlo da durabilidade e aos procedimentos de cálculo da fendilhação e da deformação de peças fletidas. (...)

Artigo completo na Construção Magazine nº101 jan/fev 2021

Rui Faria

Membro do Conselho Científico da Construção Magazine / Professor na FEUP

Se quiser colocar alguma questão, envie-me um email para rfaria@fe.up.pt

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