A envolvente exterior dos edifícios (térmica e ventilação versus isolamento acústico)

As pessoas passam cerca de 90% do tempo no interior de edifícios, devendo, por isso, ser assegurada uma qualidade do ambiente interior adequada ao desenvolvimento das atividades humanas. Os custos da má qualidade do ambiente interior para o empregador, proprietário do edifício e para a sociedade são, em geral, mais elevados do que o custo da energia utilizada no edifício. Assim, a integração de estratégias que assegurem as exigências de conforto térmico, conforto acústico, qualidade do ar interior e a eficiência energética são essenciais para melhorar a qualidade do ambiente interior e a saúde, bem-estar e produtividade dos ocupantes, reduzir a pobreza energética das famílias e aumentar a segurança e a independência energética do país.

As pessoas passam cerca de 90% do tempo no interior de edifícios [1], [2], devendo nos mesmos ser assegurada a qualidade do ambiente interior adequada ao desenvolvimento das atividades humanas. O conforto térmico e acústico, bem como a qualidade do ar interior, são aspetos essenciais para assegurar o bem-estar e a saúde dos ocupantes dos edifícios.

Os edifícios são responsáveis pelo consumo de cerca de 40% da energia final na Europa [3], [4], podendo este ser reduzido em mais de 50% se forem implementadas medidas de eficiência energética (projetando, construindo e operando os edifícios de forma adequada) [5], aumentando a segurança e independência energética dos países, reduzindo a pobreza energética das famílias (que em Portugal está num nível “muito alto” [6]) e melhorando a qualidade do ambiente interior dos edifícios.

As exigências de eficiência energética, de qualidade do ar interior e de conforto térmico e acústico têm aumentado, impondo cada vez mais requisitos aos edifícios e, naturalmente, à sua própria envolvente exterior. Este contexto afeta diretamente o desempenho dos edifícios, influenciando a sua capacidade de armazenamento e de isolamento térmico, assim como o isolamento acústico e as condições de ventilação natural dos espaços.

A redução da entrada de ar proveniente do exterior (renovação do ar) é muitas vezes uma solução para diminuir os consumos energéticos dos edifícios, o que pode conduzir ao aumento da concentração de poluentes no interior. Em alguns casos, a concentração de poluentes no ambiente interior dos edifícios pode ser mais de duas vezes superior à concentração no exterior, o que pode conduzir ao aumento de problemas de saúde (por exemplo, cerca de 20% dos europeus sofre de asma devido a substâncias inaladas no interior de edifícios [2]).

Os custos da má qualidade do ambiente interior (que afeta a saúde, o bem-estar, o conforto, a produtividade, a capacidade de concentração e de aprendizagem, e o absentismo) para o empregador, proprietário do edifício e para a sociedade em geral, são muitas vezes mais elevados do que o custo da energia utilizada no edifício [7]. Por outro lado, se os ocupantes dos edifícios se sentirem desconfortáveis irão tomar medidas para melhorarem a sua situação de conforto, o que pode ter implicações nos consumos energéticos do edifício. Assim, a implementação de estratégias que melhoram a saúde e a produtividade dos ocupantes dos edifícios a longo prazo podem ter um grande retorno sobre o investimento inicial.

O consumo de energia dos edifícios depende de forma significativa das condições ambientais no seu interior (temperatura ambiente, taxa de renovação de ar), características do edifício (qualidade térmica da envolvente, volumetria, envidraçados, sistemas de climatização, etc.), ocupação, operação e manutenção. Assim, para tornar os edifícios em locais onde as pessoas se sintam bem e tenham um bom desempenho, as equipas de projeto devem utilizar critérios de projeto que compatibilizem as estratégias que promovem a eficiência energética com as que dão resposta às necessidades dos ocupantes, garantindo a qualidade do ambiente interior e promovendo o seu bem-estar. (...)

Artigo publicado na edição nº 92

Luís Bragança, Sandra Monteiro da Silva, Escola de Engenharia, Manuela Almeida

Escola de Engenharia, Universidade do Minho

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