Francis Kéré regressa ao Porto para falar de arquitetura como ato social

Francis Kéré, arquiteto distinguido com o Prémio Aga Khan em 2004, será o cabeça de cartaz da Concreta, que este ano decorre entre 21 e 24 de novembro na Exponor.

Dois anos depois de ter partilhado a sua experiência no Fórum do Futuro, Kéré vem agora falar a um público mais diretamente ligado ao setor da construção, no dia de abertura do certame.

Radicado na Alemanha, o arquiteto tem-se notabilizado pelos projetos desenvolvidos na sua terra natal, o Burkina Faso, caracterizados pelo envolvimento da comunidade e o recurso a materiais sustentáveis.

O projeto mais emblemático de Kéré é a Escola Primária de Gando, e é emblemático por ser diretamente influenciado pela sua experiência de vida. Quando criança, Kéré tinha de fazer cerca de 40 quilómetros para frequentar uma escola deficiente em iluminação e ventilação. Essa vivência levou Kéré a interessar-se pela arquitetura e a decidir construir uma escola na sua aldeia.

O projeto teve em conta o clima, a disponibilidade de recursos, o custo e a facilidade de execução. Para maximizar resultados com o mínimo de recursos, recorreu-se a uma mistura de barro e cimento, já que o barro abunda no Burkina Faso. As técnicas tradicionais de construção foram modernizadas para criar uma construção mais robusta na forma de tijolos. Além de serem fáceis de produzir, estes tijolos ofereciam proteção térmica. O telhado de alumínio ficou suspenso, afastado de uma cobertura perfurada, de modo a permitir a ventilação e ao memso tempo evitar a chuva. O ripado das janelas permite a entrada do ar, que depois é libertado através desta cobertura, maximizando a ventilação sem recurso a ar condicionado. Kéré manteve, neste projeto, a tradição de envolver a comunidade local, o que teve um papel fundamental na sua aceitação. As crianças reuniram pedra para as fundações e as mulheres transportaram água para o fabrico de tijolos. As técnicas de construção sustentáveis e low-tech permitiram o envolvimento de todos.

Além do Prémio Aga Khan, Kéré foi também distinguido com o Prémio de Arquitetura Sustentável em 2009 por este trabalho. A escola já sofreu entretanto uma extensão e Kéré já se envolveu noutros projetos pedagógicos em Gando.

Entre os vários projetos de Kéré está também a Serpentine Gallery: foi o primeiro africano a projetar um pavilhão anual.

A par das conferências, a Concreta apresenta um renovado formato de exposição, com percursos que se intersetam nas chamadas “Praças Concreta”, espaços de criação e inovação, que dão palco a disciplinas periféricas, mas que começam a fazer parte do universo da construção e da arquitetura, como o design, a ilustração, a fotografia e o vídeo.

Num total de 20 espaços, estarão propostas como o projeto “Get Hands Dirty” da portuguesa Cristiana Felgueiras, que promove a criação e construção com as próprias mãos. Também o arquiteto e ilustrador Vasco Mourão (Mister Mourão) terá uma Praça dedicada, onde irá apresentar o seu mais recente trabalho, uma obra que se situa entre a escultura e o desenho bidimensional.

Imagem adaprada de Helge Fahrnberger / Wikimedia Commons

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