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| "Sabia que...uma parte significativa do Pavilhão Atlântico fica abaixo do nível do solo, opção que vem reduzir o impacto térmico e permite dar-lhe, no exterior, uma escala humana." |
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 Estudo do condicionamento acústico interior de um auditório face ao novo RRAE
Diogo Mateus, Andréia Pereira e Nuno Paulino do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra
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De acordo com a nova versão do Regulamento dos Requisitos Acústicos dos Edifícios (aprovado pelo Dec. Lei 129/2002 com a nova redacção dada pelo Dec. Lei 96/2008) que entrou em vigor a 1 Julho de 2008, os recintos cuja principal valência corresponde a actividades assentes na oratória, nomeadamente auditórios, salas de conferências e salas polivalentes, e em especial para espaços de elevada volumetria, passam a estar sujeitos a limites máximos de Tempo de Reverberação médio significativamente inferiores aos contemplados na versão anterior do RRAE, para edifícios escolares. No presente artigo pretende-se avaliar o condicionamento acústico interior de um auditório face às novas exigências impostas na actual versão do RRAE. Este auditório é utilizado sobretudo para realização de conferências, reuniões e colóquios onde se privilegia a percepção da palavra. Tendo-se verificado, através de medições experimentais, que o auditório apresenta algumas deficiências, são analisadas duas possíveis soluções de reabilitação acústica, recorrendo à utilização de um programa de cálculo automático baseado no Método de Traçado de Raios, sendo os resultados obtidos confrontados com as exigências regulamentares constantes da anterior e da actual versão do RRAE.

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 A utilização de materiais naturais no isolamento de sons aéreos
Luís Godinho do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra
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Nos últimos anos, têm crescido as preocupações com a necessidade de garantir uma construção sustentável, implicando um cuidado acrescido na escolha de materiais e soluções construtivas com baixos impactes sobre o ambiente e sobre a saúde dos utilizadores dos edifícios. Estas preocupações têm levado a um incremento da investigação na área da sustentabilidade, abrangendo também tópicos como a definição de soluções construtivas que integrem materiais naturais, com impactes ambientais reduzidos. Por outro lado, a procura de um conforto acrescido no interior dos edifícios tem levado a uma necessidade de utilização de materiais com características que permitam melhorar o desempenho acústico e térmico das soluções construtivas usadas. A conjugação das preocupações identificadas nos parágrafos anteriores é uma tarefa simples, e requerem conhecimento aprofundado das diferentes características dos vários materiais disponíveis e utilizáveis na construção. Embora no que respeita ao desempenho térmico as propriedades dos diferentes materiais sejam razoavelmente conhecidas, no caso específico da acústica, dada a complexidade dos fenómenos envolvidos, existe ainda algum desconhecimento do comportamento de alguns dos materiais cuja utilização pode ser potencialmente interessante.

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 Ruído de baixa frequência em edifícios
Por: Albano Neves e Sousa, do IST
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Em média, o intervalo de frequências audíveis para pessoas jovens e saudáveis estende-se dos 20 aos 20.000 Hz. Considera-se que o ruído de baixa frequência (RBF) ocorre no intervalo 20 - 200 Hz. Os sons emitidos em frequências entre 2 e 20 Hz, classificados como infra-sons, também podem ser sentidos pelo ser humano, mas apenas para níveis de pressão sonora muito elevados, geralmente superiores a 100 dB. O RBF tem preocupado a comunidade científica e técnica desde há quase meio século, mas a maioria dos estudos realizados até ao final do século XX incidiu essencialmente sobre os seus efeitos no ser humano. Entretanto, a vulgarização de tecnologias de utilização doméstica com capacidade para a produção de ruído com elevado conteúdo energético na gama das baixas frequências, por um lado, e a proliferação de construções leves com menor dissipação energética, por outro, tornam actualmente incontornável o problema da avaliação da transmissão sonora de baixa frequência em edifícios. Na última década, foram efectuados diversos estudos neste domínio, visando, numa primeira fase, a compreensão física do fenómeno, e, posteriormente, a normalização de métodos de avaliação do isolamento sonoro na gama das baixas frequências. Neste artigo são apresentadas as principais conclusões destes estudos.

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 Estudo experimental de soluções de reabilitação térmica
Paulo Moradias, do Instituto Politécnico de Castelo Branco e Pedro Silva e João Castro Gomes, da Universidade da Beira Interior
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As habitações rurais são, em geral, constituídas com materiais tradicionais, pedra e madeira, e apresentam um fraco comportamento térmico e higrométrico. Por outro lado, este tipo de habitação encontra-se em geral degradado, tornandose necessário estudar soluções para reabilitar coberturas (estruturas de madeira), paredes (alvenaria de pedra) e pavimentos (madeira), melhorando a sua impermeabilização e conforto térmico, bem como, estudar metodologias adequadas para a reabilitação de construções com as características indicadas. Neste artigo foi efectuado um estudo experimental para avaliar a influência de algumas soluções construtivas, no aumento da resistência térmica de paredes de alvenaria de pedra. O estudo decorreu em câmara climática, no qual se mediram as variações de temperatura e humidade que ocorrem numa parede de alvenaria de pedra, para algumas das soluções testadas previamente com o software Condensa. Os resultados experimentais obtidos neste trabalho, contribuem para um maior conhecimento do comportamento termo-higrométrico de paredes de alvenaria de pedra, quando a reabilitação térmica é feita pelo seu interior e utilizando soluções construtivas que minimizam os riscos de condensação superficial.

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 Considerações sobre a sustentabilidade dos materiais de construção
Fernando Pacheco Torgal, Investigador do C-TAC, Unidade de Investigação em Construção Sustentável, Universidade do Minho e Said Jalali Professor Catedrático, Departamento de Engenharia Civil, Universidade do Minho
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O presente artigo, tece algumas considerações sobre o contributo dos materiais de construção para a sustentabilidade da indústria construção. Materiais produzidos a partir de resíduos, com elevado nível de reciclagem, materiais com maior durabilidade, que incorporem menos energia ou materiais que sejam escolhidos mediante uma análise do seu ciclo de vida, constituem soluções inequívocas que contribuem para uma construção mais sustentável.
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 Reabilitação energética de edifícios residenciais com aplicação de soluções de fachada prefabricadas
Manuela Almeida e Luís Bragança da Universidade do Minho e P. Silva e V. Mesquista da DST
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Em termos energéticos, o parque edificado é um dos sectores com necessidade de intervenção prioritária. Com a entrada em vigor da Directiva Europeia da Performance Energética de Edifícios, foi dado mais um passo no sentido de incentivar medidas que limitem o consumo de energia primária nos edifícios. No entanto, a reabilitação energética dos edifícios não é ainda uma prática corrente e é muitas vezes apontada como demasiado dispendiosa e/ou ineficiente. Neste contexto, e no sentido de contribuir para a inversão desta situação, o Laboratório de Física e Tecnologia das Construções (LFTC) da Universidade do Minho encontra-se a desenvolver sistemas prefabricados de fachada com o objectivo de reabilitar termicamente edifícios residenciais existentes. Este projecto resultou, em parte, da participação de um grupo de trabalho do LFTC no Projecto da Agência Internacional de Energia IEA ECBCS Annex 50, o qual tem como objectivo a reabilitação integrada de edifícios residenciais com a utilização de soluções prefabricadas. Numa primeira fase do projecto foi necessário realizar um estudo de campo identificando as patologias energéticas mais frequentes dos edifícios portugueses. De forma a optimizar as soluções a desenvolver é também essencial o recurso a ferramentas 3D e de simulação energética de modo a testar o design e o desempenho das várias opções, assim como assegurar que estas cumpram as exigências regulamentares. Assim, neste artigo serão apresentadas as diversas fases de desenvolvimento de soluções tipo prefabricadas de reabilitação no âmbito deste projecto.

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 Os novos desafios tecnológicos na reabilitação energética de paredes exteriores de edifícios
Helena Corvacho, Engenheira Civil da FEUP – DEC/SCC/Laboratório de Física das Construções, e Isabel Abreu, Engenheira Civil do Instituto Politécnico de Bragança
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É um facto reconhecido pelos diversos actores do sector da construção que a reabilitação do parque habitacional português é necessária e que a sua importância na actividade global da construção de edifícios deverá crescer, aproximando-se de valores praticados nos outros países da União Europeia. A necessidade de travar o crescimento do consumo de energia para aquecimento (ou arrefecimento) nos edifícios e as evidentes melhorias do conforto de utilização que decorrem da “reabilitação energética” da envolvente fazem desta uma oportunidade a agarrar aquando de uma reabilitação funcional ou estética (note-se que utilizamos aqui a designação de “reabilitação energética” por comodidade de expressão, traduzindo directamente os termos ingleses utilizados internacionalmente. Aquilo a que nos referimos é a uma intervenção nas paredes exteriores que resulte numa melhoria do comportamento térmico do edifício e numa consequente redução da energia necessária à obtenção de condições de conforto). O actual enquadramento regulamentar, a entrada em funcionamento do Sistema de Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior dos Edifícios (SCE) e as exigências globais de respeito pelo ambiente transformam essa oportunidade num imperativo.

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 Enquadramento e eficácia do SCE - algumas reflexões
Hipólito de Sousa, FEUP, Gequaltec
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No contexto nacional da construção esta legislação dá passos que se podem considerar verdadeiramente inovadores na garantia dos objectivos regulados, ao definir, como principal objectivo, o controlo das autoridades, visando informar os cidadãos da qualidade térmica dos edifícios aquando da construção, da venda ou do arrendamento, obrigando, para isso, à certificação de 100% dos edifícios, criação de peritos e confiando à Agência para a Energia – ADENE, a gestão do sistema, incluindo os encargos e receitas da sua operacionalização. O sistema entrou em vigor duma forma faseada em Portugal, tendo passado já mais de dois anos e meio sobre a implementação da 1ª fase, que aparentemente ocorreu com sucesso e constitui um exemplo elogiado no contexto europeu. Para esta imagem contribuirão a própria concepção e robustez do sistema nacional, a centralização do processo na ADENE, o recurso generalizado às tecnologias de informação e uma aposta forte em comunicação e imagem. No entanto, numa altura em que se perspectiva para 2011 uma revisão da Directiva Europeia, parece importante, com a experiência existente, olhar para este sistema no contexto da construção nacional, das outras exigências essências e regulamentos técnicos. Não vamos analisar os aspectos técnicos específicos dos regulamentos, nem os sistemas activos, restringindo-nos fundamentalmente aos edifícios de habitação.

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 Conforto térmico sustentável no sector residencial
Pina dos Santos, Engenheiro e investigador no LNEC, e Luís Matias, físico e assistente de investigação
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A percepção de conforto térmico é definida em diversos documentos normativos como sendo “o estado de espírito que expressa satisfação relativamente ao ambiente térmico”. Estas normas foram, inicialmente, baseadas em estudos laboratoriais em que as condições ambientes foram artificialmente controladas. Estes documentos pretendem, sobretudo, definir as condições ambientes de edifícios de serviços com vista a assegurar, quer o conforto, quer a melhoria de produtividade dos respectivos utentes. A satisfação dos requisitos dessas normas exige estratégias de controlo ambiente estáveis, com limites de temperatura rígidos, em geral só obtidos com sistemas de climatização. Numa perspectiva da saúde da população, a Organização Mundial da Saúde, recomenda uma temperatura mínima em ambientes interiores de 18ºC, a qual deve ser aumentada para 20-21ºC em espaços com permanência de idosos e crianças.
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 Queremos casas ou “máquinas de habitar”?
Fausto Simões, Arquitecto
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Ainda hoje se pode constatar no mundo rural uma relação frugal com o clima que Orlando Ribeiro sintetizou com palavras muito bem medidas (Ribeiro, 1987): “Suportável na rua ou no campo, o Inverno é duro no interior das habitações, onde o frio se acumula e permanece; mal aquecidas por falta de lenha, mas também porque a raridade do frio intenso não torna indispensável esta defesa. Assim, enquanto o frio na Europa média convida à intimidade no interior, o frio vence-se aqui apanhando o sol ou aquecendo por um rápido passeio a pé” . Era o que fazia Fialho de Almeida que comentava a propósito (Almeida, 1924): “Hontem como o frio aperta deveras nas casas, fui-me ao acaso das pernas, dar uma volta pelos bairros afastados da cidade”. Corria então o mês de Março em Lisboa. Estende-se assim à burguesia urbana a rusticidade térmica que prevalecia no mundo rural: o mesmo jogo entre o comportamento das casas e o comportamento das pessoas face aos golpes de frio de invernos geralmente moderados e ensolarados.
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 A correcção de pontes térmicas em intervenções de reabilitação
Isabel Abreu, do Instituto Politécnico de Bragança e Helena Corvacho da Faculdade de Engenharia da Universidade Porto
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São, desde há muito, bem conhecidas as consequências negativas de pontes térmicas na envolvente dos edifícios. As pontes térmicas agravam o risco da ocorrência superficiais e do desenvolvimento de bolores nos paramentos interiores da envolvente dos edifícios, assim como contribuem, pela sua própria natureza de caminho privilegiado de transmissão de calor, para um agravamento das perdas térmicas para o exterior, o que poderá conduzir a um maior consumo de energia para aquecimento. Com a intenção de evitar essas implicações negativas, têm vido a ser concebidas correcções que introduzem uma muito reduzida ou nula melhoria do comportamento térmico do edifício e que, com frequência, dão origem a novas anomalias construtivas que poderemos designar por anomalias de segunda geração. Com o objectivo de propor soluções que contribuam, simultaneamente, para minimizar o fenómeno da ponte térmica e resolver eventuais anomalias de outra natureza, foi levado a cabo um estudo na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, do qual se apresentam aqui alguns resultados. Foi dada uma particular atenção às situações de alvenaria não confinada com tentativas de correcção com forras cerâmicas exteriores, soluções que se vulgarizou após a entrada em vigor do RCCTE.

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 Caso Prático: Ponte pedonal P1 sobre o rio Pavia em Viseu
Por: Luís Câncio Martins
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O Parque Linear do Rio Pavia insere-se no âmbito da intervenção do Programa Polis em Viseu. Concebido pela NPK, Arquitectos Paisagistas Associados, o parque desenvolvese ao longo de mais de mil metros lineares de rio, ligando os Parques Urbanos da Aguieira e da Radial de Santiago. O objectivo da intervenção foi a recuperação duma zona muito degradada e a criação de condições que permitam o usufruto das zonas ribeirinhas da cidade. Para atravessamento do rio foram projectadas três pontes pedonais, duas para ligação a um centro comercial e, a jusante destas, a ponte P1 a que se refere esta apresentação.
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 Avaliação do desempenho higrotérmico em serviço e exigências regulamentares
Por: Vasco Peixoto de Freitas e Ricardo Almeida
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Uma educação de excelência é um objectivo claro de qualquer sociedade moderna. Vários estudos internacionais [1] têm sido realizados para melhor avaliar a performance/desempenho dos estudantes, bem como os factores que mais a influenciam, nomeadamente o ambiente interior das salas de aula. Em Portugal, a questão da reabilitação dos edifícios escolares apresenta-se como um investimento estratégico, consubstanciado no “Programa de Modernização das Escolas de Ensino Secundário” [2], que visa, entre outros objectivos, assegurar um desempenho higrotérmico adequado, a eficiência energética e a qualidade do ar interior dos edifícios, respeitando os DL nºs 78/2006, 79/2006 e 80/2006 (SCE – Sistema de Certificação Energética; RSECE - Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização nos Edifícios; RCCTE - Regulamento das Características de Comportamento Térmico de Edifícios). Trata-se de uma oportunidade excepcional para melhorar as condições de utilização dos edifícios escolares, garantindo-se, simultaneamente, o conforto dos utilizadores, a eficiência energética, a durabilidade das soluções e a sustentabilidade da exploração dos edifícios reabilitados. No entanto, a reabilitação de edifícios existentes pode, muitas vezes, ser incompatível com a regulamentação que, na generalidade dos casos, foi concebida para edifícios novos. Os padrões impostos pela nova regulamentação devem ser comparados com as exigências existentes noutros países e validados através da medição do desempenho em serviço. Os autores entendem que a avaliação do desempenho higrotérmico dos edifícios escolares, em condições de serviço, é fundamental, pois só assim será possível validar as soluções técnicas mais adequadas, em função das reais necessidades e dos custos de investimento, exploração e manutenção. Com esse objectivo desenvolveu-se uma campanha experimental de medição da temperatura, humidade relativa e concentração de dióxido de carbono em salas de aula de escolas não reabilitadas e escolas reabilitadas com diferentes estratégias, cujos resultados e sua interpretação são apresentados nesta publicação, bem como uma reflexão sobre as exigências regulamentares em vigor.
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 Remodelação da escola secundária rocha peixoto: algumas notas sobre as soluções construtivas adoptadas
Por: José Gigante, Arquitecto
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A Escola ocupa a totalidade de um quarteirão adjacente à Praça Luís de Camões, na Póvoa de Varzim, rigorosamente implantado segundo os eixos Norte-Sul / Este-Oeste. A antiga entrada principal localiza-se na frente voltada para a referida praça. A escola preexistente é formada por dois edifícios de três pisos e por um outro, térreo, onde se distribuem os espaços de oficinas, reportando a sua construção a meados do século passado. A ligá-los, extensas galerias cobertas, abertas lateralmente. Pela sua disposição, os edifícios esboçam dois pátios onde, de certo modo, se torna legível a identidade do conjunto. Um volume de carácter precário, disposto transversalmente, separa os mesmos pátios, sendo estes já afectos a actividades diversas – um mais ligado a aulas e áreas de refeitório/convívio e o outro ocupado por campos de jogos.
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 Requisitos acústicos na requalificação e modernização de edifícios escolares
Por: Diogo Mateus
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Com o objectivo de requalificar e modernizar a maioria das principais escolas secundárias do país, foi criado o Programa de Modernização do Parque Escolar destinado ao Ensino Secundário, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 1/2007. A implementação deste programa iniciou-se em Março de 2007, com a fase piloto (intervenção em 4 escolas), seguindo- se a Fase 1 (intervenção em 26 escolas), a fase 2 (intervenção em 75 escolas), estando actualmente em preparação a fase 3, com mais 100 escolas. O objectivo final é requalificar e modernizar 332 escolas até 2015. Entre as várias vertentes do Programa de Modernização do Parque Escolar, a acústica assume particular ênfase. O sucesso do processo de aprendizagem depende em grande parte das condições acústicas das salas de aula e de outros espaços complementares, nomeadamente das bibliotecas, salas de estudo, auditórios e salas polivalentes. O Regulamento dos Requisitos Acústicos dos Edifícios (aprovado pelo Dec. Lei 129/2002 com a nova redacção dada pelo Dec. Lei 96/2008), cuja versão actual entrou em vigor a 1 Julho de 2008, apresenta um conjunto de requisitos acústicos específicos aplicáveis a edifícios escolares. Apesar deste regulamento se aplicar, sem distinção a edifícios novos, a construir, e a edifícios já existentes, a reconstruir, é muitas vezes difícil a verificação de todos os requisitos em edifícios a reconstruir,semeem especial quando a intervenção pretendida é limitada. Eventualmente, justificar-se-ia a diferenciação de requisitos em edifícios a reconstruir. Neste âmbito, são apresentados e discutidos no presente artigo alguns aspectos considerados relevantes na reabilitação acústica de várias escolas secundárias, objecto de intervenção de requalificação e modernização, e apresentadas e comentadas algumas das dificuldades encontradas na verificação de requisitos regulamentares.
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 Da forma à produção: aproximação à cadeia digital de cofragens de superfícies com formas irregulares, com incidência em superfícies regradas
Por: Joachim Kieferle, FH Wiesbaden, Faculty of Architecture and Civil Engineering; Neil Katz Skidmore, Owings & Merrill (SOM) New York e Kruno Thaleck B&T Bau & Technologie GmbH
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Existe uma relação intima entre o projecto e a produção de edifícios. No entanto, esta relação continua a ser um processo sequencial, onde a produção, com as suas possibilidades e limitações geométricas, é apenas uma diminuta condicionante levada em conta nas fases preliminares do projecto. Neste artigo, descrevemos um protótipo de um projecto de cofragem, construído a partir de placas Styrofoam cortadas com um sistema de corte com fio quente CNC e revestidas com o sistema de revestimento Claraporon. Devido à natureza linear do corte com fio quente, as superfícies que poderão ser criadas são superfícies regradas. Estas são avaliadas tanto de uma forma geral, como na sua aplicação ao ensino através de exercícios com superfícies regradas.
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 Oportunidades e desafios das tecnologias digitais em arquitectura: geração, fabricação e automação no projecto tetrascript
Por: Gonçalo Castro Henriques, da Faculdade Arquitectura, Universidade Técnica Lisboa/X-Ref Architectural Research & Development; José Pinto Duarte, da Faculdade Arquitectura da Universidade Técnica Lisboa; António Carvalho Brito, da Faculdade Engenharia da Universidade do Porto e Joaquim Oliveira Fonseca, da Faculdade Engenharia da Universidade do Porto
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No modelo de desenvolvimento actual, a indústria da construção consome muitos recursos físicos, energéticos e humanos. O resultado deste modelo de construção é observável no meio construído que esgota recursos naturais e tem um impacto negativo no ambiente. Quando comparadas as estratégias humana e natural para os utilizar, a primeira é pouco eficiente. A estratégia natural está assente em leis gerais de optimização e processos de adaptação locais, construindo com o mínimo de matéria e energia, enquanto a estratégia dominante na construção utiliza muitos recursos, valorizando aspectos económicos imediatos, atribuindo pouca relevância às características locais e individuais. A tecnologia é vista como processo global com poucas contrapartidas locais e ambientais. Com a investigação presente pretende-se demonstrar como as novas tecnologias podem ter uma actuação global no processo de construção tornando o mesmo mais eficiente e permitindo uma maior personalização das soluções, ao desenvolver estratégias de actuação locais de interacção com o meio. O projecto e fabrico de um pavilhão, chamado TetraScript, capaz de auto-controlar o nível de iluminação natural são usados como caso de estudo. O desenvolvimento da solução exigiu conhecimentos de várias áreas disciplinares para além da arquitectura, tais como Engenharia Civil (estruturas), Engenharia Mecânica (fabricação) e Engenharia Electrotécnica e de Computadores (optimização e automação). A inclusão de um protótipo do pavilhão na exposição Spot on Schools que se realizou em Florença, motivou o desenvolvimento da investigação, exigindo exequibilidade ao projecto. O protótipo representa um estádio intermédio da investigação e constitui o foco deste artigo.

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 A concepção arquitectónica e as novas tecnologias – a condição do ofício de projectar
Por: José Gigante, Arquitecto e Professor no Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra
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A incidência da Construção numa prática integrada deverá, pois, ser dupla: por um lado, tendente a reconhecer a razoabilidade dos “limites”, isto é, o enquadramento do Projecto nas condicionantes inerentes à caracterização física do objecto; por outro lado, transformando esses mesmos “limites” num estímulo para a criação formal, na descoberta da disciplina que liberta a imaginação. A operacionalidade dessa incidência passará obrigatoriamente pelo seu aprofundamento no quadro de uma prática que assuma o Projecto de Arquitectura como um processo integrado. Porque o Projecto, enquanto conceptualização do objecto construído, deverá aspirar à correspondência, na estrutura da sua gestação, com o carácter orgânico da obra, procurando encontrar processos capazes de assimilarem o objecto pensado em toda a dimensão da sua realidade. Os sistemas estruturais e infra-estruturais, os processos construtivos e os materiais com que se ergue a obra não são elementos subsidiários de uma imagem formal abstraída do seu suporte físico. Pelo contrário, as opções construtivas devem informar o trabalho de concepção como elemento inerente à própria vontade de Forma.

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 A avaliação da condição instrumental dos objectos arquitectónicos
Por: Teresa V. Heitor, Professora Catedrática do Instituto Superior Técnico, Investigadora do ICIST da Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura
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O artigo centra-se na avaliação da condição instrumental dos objectos arquitectónicos, destacando os procedimentos metodológicos adoptados no âmbito dos estudos espaço-funcionais para descrever o espaço e os usos, i.e. os comportamentos espaciais exibidos pelos seus utilizadores e a partir dessa descrição identificar as suas capacidades funcionais. Considera-se que este processo necessita do suporte de um quadro teórico que oriente a definição das variáveis de análise i.e., dos atributos espaciais com mediação no uso do espaço bem como de uma metodologia que permita a descrição do espaço e a leitura dos comportamentos espaciais dos seus utilizadores. Tal implica a análise dos usos - enquanto factor que possibilita a transformação de espaços em lugares - e a valorização do ponto de vista do utilizador, o seu destinatário final. O artigo está organizado em duas partes. Na primeira refere-se o quadro teórico-metodológico que suporta a análise espaço-funcional, focando o contributo dado pela sintaxe espacial a partir do trabalho seminal desenvolvido por Hillier e Hanson (1984). Na segunda parte abordam-se processos de levantamento não arbitrário de comportamentos espaciais para posterior co-relacionamento com as condições espaciais que os suportam. Com base em estudos de caso, evidenciam-se as potencialidades de utilização de técnicas de observação directa não intrusivas e passíveis de tratamento automático.

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 A questão tecnológica em arquitectura
Por: Mário Krüger, Prof. Catedrático do Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra
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Desde o tratado de Marco Pólio Vitrúvio (I, 3, 2; VI, 8, 10), De architectura, escrito no séc. I a. C., dedicado ao imperador César Octaviano Augusto e que resume, em parte, o legado da cultura arquitectónica helenística, que as dimensões da construção, da utilidade e da beleza (firmitas, utilitas e venustas) estão resolutamente implantadas na arquitectura ocidental, assumindo-se, desde então e de forma explícita, que a dimensão tecnológica constitui uma das instâncias que compõem a arquitectura. No séc. XV, Leon Battista Alberti (1485 a-b, Livro I, cap. 2) estrutura o tratado que abre as portas da modernidade em arquitectura, o De re aedificatoria, em relação àquelas dimensões e refere-se a seis operadores, isto é, a seis meios lógicos para ordenar o discurso disciplinar: a regio, a area, a partitio, a paries, o tectum e a apertio (a região, a área, a compartimentação, a parede, a cobertura e a abertura). Posteriormente, o surgimento das vanguardas artísticas no início do séc. XX é assinalado por uma série de eventos dos quais se pode destacar, a este respeito, a publicação de “Les 5 Points d’une Architecture Nouvelle”, assinados por Le Corbusier-Pierre Jeanneret e divulgados a partir de 1927. Estes cinco pontos para uma nova arquitectura: les pilotis, le plan libre, la façade libre, les toits jardins e la fenêtre en longueur1 (os pilotis, a planta livre, a fachada livre, o jardim na cobertura e a janela em comprimento) afiliam-se, em contraposição, a alguns dos operadores definidos por Alberti, em consonância com a tecnologia construtiva preponderante em cada época. A questão que se coloca é de como a dimensão tecnológica da firmitas vitruviana pode ser actualmente entendida nos conceitos propostos por Alberti e Le Corbusier-Pierre Jeanneret, no fim de contas qual a sua emergência na contemporaneidade?

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 A reabilitação de edifícios antigos e os novos regulamentos: exigências, confusões e outras considerações
Por: João Appleton, Engenheiro Civil
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A reabilitação de edifícios antigos está na ordem do dia, não havendo candidato a qualquer autarquia que não a coloque como uma prioridade absoluta para o próximo mandato...infelizmente sempre para o próximo mandato e para o mandato depois do próximo. As razões são boas e devem ser saudadas, porque esses edifícios são um património muito valioso, tanto do ponto de vista cultural como económico e é hoje cada vez mais evidente que não faz sentido, por sistema, demoli-los para fazer novas casas, quando é possível preservá-los, recuperá-los e reutilizá-los, ajudando a manter para próximas gerações as imagens das cidades que sempre foram.
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 Isolamento e inércia
Por: Fausto Simões, Arquitecto
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Prioritário na concepção de novos edifícios, o isolamento térmico pode contribuir para a reabilitação dos edifícios existentes que hoje está na ordem do dia, pois permite a sua adaptação a novas exigências de conforto, conservando energia. A conservação do património edificado adquire assim uma tripla acepção: dos valores culturais, dos recursos materiais e da energia. A importância do isolamento térmico é maior nas regiões mais frias e nos pequenos edifícios exclusivamente residenciais, mais comandados pela envolvente do que pelas cargas térmicas interiores. Sendo ainda hoje a maior parte do nosso património edificado, a reabilitação térmica destes pequenos edifícios merecia ser sistematizada, atendendo ao estado de conservação e à diversidade de materiais e recorte das formas que, além do mais, parecem revelar uma progressiva insensibilidade à condições climáticas locais. Trataremos aqui do isolamento térmico nas paredes em conjugação com a inércia térmica, considerando as suas implicações arquitectónico-construtivas e a reabilitação dos edifícios, dada a importância que hoje lhe é reconhecida.

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 Vantagens e condicionantes da aplicação de “ETICS” na reabilitação de fachadas
Por: Romeu Vicente, Professor Auxiliar do Dep. de Eng. Civil da Universidade de Aveiro, Raimundo Mendes da Silva, Professor Auxiliar do Dep. de Eng. Civil da Universidade de Coimbra, Maria Isabel Morais Torres, Professora Auxiliar do Dep. de Eng. Civil da Universidade de Coimbra, e Vitor Hugo Abalada, Eng. Civil da Divisão de Gestão de Edifícios, Equipamentos e Infra-estruturas da U. Coimbra
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O isolamento térmico pelo exterior das fachadas dos edifícios, que compreende diversos sistemas e técnicas, tem vindo a implantar-se em Portugal, de forma gradual, sobretudo nas últimas duas décadas, e apresenta, agora, níveis de crescimento e de interesse por parte do corpo técnico nacional muito apreciáveis, o que não é totalmente alheio ao aparecimento e evolução do RCCTE (Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios). Sobre o sistema ETICS (External Thermal Insulation Composite System) há bibliografia técnica relevante e investigação científica crescente, em particular sobre aspectos específicos do respectivo comportamento e durabilidade, mas interessa, sobretudo, fazer uma descrição geral das suas vantagens e condicionantes na reabilitação de fachadas, abordando a sua aplicabilidade neste âmbito cada vez mais corrente.
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 Aspectos do desempenho ao fogo do isolamento térmico pelo exterior de paredes
Por: C. Pina Santos, Engenheiro Civil, Investigador Principal do LNEC
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O novo Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE) entrou, formalmente, em vigor em Julho de 2006. Publicado na mesma data do RCCTE, o Decreto-Lei nº 78/2006 define os princípios gerais da denominada certificação energética dos edifícios. Em termos legais a certificação energética é aplicável desde o início de Janeiro de 2009 a todos os edifícios novos ou existentes, não se impondo todavia aos edifícios existentes o cumprimento dos requisitos actuais definidos no RCCTE. À primeira vista poder-se-ia assumir que para a satisfação das exigências regulamentares ou para a obtenção de uma boa classe energética será indispensável adoptar soluções construtivas, nomeadamente nas paredes das envolventes exterior e interior, que conduzam a valores de coeficientes de transmissão térmica (U) bastante baixos, necessitando desse modo de se recorrer a espessuras elevadas de produtos de isolamento térmico. Todavia a influência das paredes dos edifícios no cumprimento das exigências regulamentares pode considerar-se modesta (mesmo quando a área daqueles elementos é significativa) quando comparada com o conjunto das perdas devidas á renovação de ar, aos vãos envidraçados, eventualmente à cobertura, e, ainda, às perdas lineares que ocorrem nos elementos em contacto com o terreno e nas ligações dos elementos da envolvente (pontes térmicas lineares).

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 Revestimentos de isolamento térmico de fachada: eficiência, durabilidade e comprovação de qualidade
Por: Maria do Rosário Veiga, Investigadora Principal do Departamento de Edifícios do LNEC, e Carlos Pina dos Santos, Investigador Principal do Departamento de Edifícios do LNEC
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O isolamento térmico dos edifícios tem um papel essencial no seu bom desempenho energético, no conforto interior e na durabilidade da envolvente. Em Portugal o isolamento térmico é utilizado na construção de edifícios desde a década de 1950, mas só começou a vulgarizar-se no início da década de 90, com a entrada em vigor do primeiro Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE), que foi recentemente actualizado pelo Decreto-Lei n.º 80/2006 de 4 de Abril. O isolamento térmico das zonas opacas das fachadas tem um peso significativo no isolamento da envolvente, dada a dimensão relativa da área exposta. Pode ser conseguido através do uso de sistemas de isolamento térmico aplicados pelo exterior ou pelo interior das paredes de fachada, através de isolante inserido no interior da caixa-de-ar entre panos de paredes duplas, ou ainda através do uso nas próprias paredes de blocos com características térmicas ou geométricas melhoradas. Embora qualquer destas soluções permita, com espessuras adequadas de isolante, atingir níveis aceitáveis de isolamento, são os sistemas de isolamento térmico pelo exterior que apresentam maior eficácia e mais vantagens adicionais.

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 Durabilidade de estruturas de betão armado com CPF - Cofragem de permeabilidade controlada
Por: Joana Sousa Coutinho, Engenheira Civil, Professora Auxiliar da FEUP - DEC/SMC, Investigadora LABEST
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Os materiais de construção à base de cimento, sobretudo o betão, são os materiais com mais sucesso no mundo. De facto, produz-se mais de 1m3 de betão por pessoa, por ano e este sucesso reside na facilidade com que uma mistura à base de um pó cinzento e água pode ser transformado, à temperatura ambiente, num sólido de forma manipulável com múltiplas funções. Para além disso é um material de baixo custo, de baixo consumo de energia, produzido a partir de recursos (ainda) largamente disponíveis no mundo. No entanto, embora o betão cause menor impacto ambiental do que alguns materiais de construção alternativos, a produção de cimento em grandes quantidades é responsável por cerca de 5-8% das emissões causadas pelo Homem de CO2, conduzindo por isso a pressão em termos de inovação para a sustentabilidade, nomeadamente no que se refere a novos tipos de adições, sobretudo obtidos a partir de resíduos e também em termos de novas técnicas que conduzam a maior durabilidade das estruturas com a consequente redução da necessidade de consumo de materiais, incluindo o cimento.

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 Durabilidade de betões modificados com polímeros
Por: Fernando Pacheco Torgal, Doutor em Engenharia Civil, Unidade de Investigação C-TAC da Universidade do Minho
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O presente artigo aborda a temática dos betões modificados com polímeros, com especial ênfase para a sua durabilidade. É feita uma introdução sobre este tipo particular de betões, descrevem-se as diferentes variantes da associação entre betões e polímeros e sintetizam-se as principais características destes materiais, destacando-se o desempenho destes materiais relativamente a parâmetros de caracterização da durabilidade dos betões. São ainda apresentados resultados pontuais de investigações levadas a cabo na Universidade do Minho, que evidenciam a vantagem da utilização de aditivos polímericos na resistência ao ataque químico com ácido súlfurico.
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 Durabilidade do betão - mitigação das reacções expansivas internas
Por: António Santos Silva, Departamento de Materiais do LNEC
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O número de casos de estruturas de betão afectadas por reacções expansivas internas tem aumentado muito nos últimos anos, tanto em Portugal como a nível internacional. A degradação do betão por reacções químicas de origem interna engloba dois tipos de reacções expansivas: a reacção álcalis-sílica (RAS) e a reacção sulfática de origem interna (RSI). Estas duas reacções, que têm manifestações macroscópicas semelhantes, quando detectadas são muito difíceis de combater, não existindo ainda um método totalmente eficaz de reparação para estruturas degradadas por RAS ou RSI. Este aspecto salienta assim a necessidade da tomada de medidas mitigadoras contra a sua ocorrência no futuro.
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 Modelos para a previsão da durabilidade do betão armado
Por: Rui Miguel Ferreira, Professor Auxiliar do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho
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A falta de durabilidade das estruturas de betão armado, que se verifica em todo o mundo, é um problema grave que necessitará de um investimento de milhões de euros em inspecção, manutenção, reparação ou mesmo, em casos extremos, substituição das mesmas. Em certas estruturas de betão armado relativamente recentes, situadas em ambientes agressivos, onde os requisitos prescritivos de durabilidade estavam em consonância com as normas europeias para betão, verificou-se, mesmo assim, a corrosão prematura das armaduras. Tal deve-se, em grande medida, à insuficiente atenção dada à durabilidade nas fases de projecto e de construção.. A durabilidade das estruturas de betão armado é essencialmente afectada pelo projecto, pela falta de pormenorização, inadequada especificação material para a construção, e pela deficiente qualidade da construção. O projecto e a construção devem estar interligados, e o ênfase não deverá estar apenas centrado na resistência, estabilidade, custo e facilidade/rapidez de construção, mas, também, na durabilidade.

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 Durabilidade do betão: passado, presente e futuro
Por: Arlindo Gonçalves, investigador do LNEC
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A durabilidade pode ser definida como a capacidade de um edifício, sistema, componente, estrutura ou produto manter um desempenho mínimo durante pelo menos um tempo determinado, sob a acção de factores degradativos. Aquela capacidade admite-se que possa ser mantida por tempo indefinido, mas provavelmente com elevados custos de conservação, o que, no caso de uma estrutura, pode tornar o processo mais caro do que a sua demolição e a construção de uma nova. Associado ao conceito de durabilidade, aparece assim o conceito de vida útil de projecto, como sendo o período durante o qual se assume que uma estrutura, ou parte dela, irá ser usada para o fim determinado, com a manutenção prevista, mas sem necessidade de grandes reparações. De certo modo, poderá dizer-se que as estruturas devem ser duráveis durante o tempo de vida útil de projecto. A construção em zonas de acentuada agressividade ambiental, por vezes com ritmos elevados, a produção de novos cimentos com maior finura, mais ricos em silicato tricálcico e com incorporação de novos constituintes e a utilização de agregados de menor qualidade têm vindo a originar a degradação precoce de algumas estruturas e a suscitar a necessidade de novas abordagens para a garantia da sua vida útil. A causa maior de degradação das estruturas de betão é resultante da corrosão das armaduras, pelo que a garantia de uma determinada vida útil passa, entre outros aspectos, pela escolha adequada do binómio qualidade do betão e recobrimento das armaduras. As reacções expansivas de origem interna têm vindo também a afectar um conjunto significativo de obras de grande valor económico e social, sendo talvez a segunda causa mais relevante para a degradação das estruturas de betão, a que acresce a circunstância de a sua reparação se revestir, no geral, de grande dificuldade.
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 A Mota-Engil na Europa Central e de Leste no contexto da internacionalização da engenharia civil
Por Engenheiro Fiel Barbosa, Administrador da Mota-Engil Engenharia e Construção para a Europa Central
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A internacionalização da engenharia civil portuguesa tem uma história cujas origens se encontram desde os primeiros movimentos dos portugueses para fora das suas fronteiras. Fortificações militares, edifícios administrativos e religiosos, aquedutos e vias de comunicação foram laboriosamente sendo construídos nas rotas do império como instrumentos ao serviço de uma estratégia. Durante o período do domínio colonial, em África, a engenharia rodoviária predominantemente desenvolvida pelos engenheiros militares constituiu um dos mais valiosos recursos para o controlo e desenvolvimento dos territórios.
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 Internacionalização: uma atitude permanente na história da COBA
Por Engenheiro Vitor Carneiro, Presidente da Comissão Executiva da COBA
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Para a COBA, o ano de 2008 ficou marcado pelo mais elevado volume de negócios anual alcançado pela empresa: cerca de 28 milhões de euros. Também o volume de negócios gerado pela actividade internacional atingiu o seu maior valor de sempre: 8,3 milhões de euros. Foi, portanto, um ano de consolidação da sua posição como líder na prestação de serviços de engenharia. A capacidade para responder ao aumento de solicitações, em simultâneo, por parte de instituições nacionais e internacionais é fruto de uma continuada política de internacionalização que tem contribuído para uma constante preparação dos técnicos para atender a novas situações e para, em suma, saber competir em mercados diferenciados e com forte presença de empresas de engenharia provenientes das mais variadas latitudes. Os técnicos da COBA são permanentemente incentivados a desenvolver conhecimentos linguísticos, a aprofundar o conhecimento real dos países onde a sua actividade se desenvolve, da sua cultura, da realidade das empresas de consultoria locais - parceiros privilegiados na organização de equipas ganhadoras - , a desenvolver fortes relações pessoais e profissionais, tornando a empresa e os seus técnicos parte integrante da comunidade técnica e empresarial de cada um desses países.

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 Materiais compósitos no reforço de estruturas de betão – parte III: modelos de reforço à flexão e caso de estudo
Por Joaquim António Oliveira de Barros, Prof. Associado c/ Agregação, Dep. Eng. Civil da Universidade do Minho
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Este trabalho é o terceiro de um conjunto de artigos dedicados ao reforço de estruturas de betão com materiais compósitos (FRP). Os dois trabalhos anteriores abordaram as propriedades dos FRP, as técnicas de reforço e o desempenho que estes materiais e técnicas têm revelado em programas de investigação experimental. Neste trabalho é descrita a formulação proposta pelo American Concrete Institute (ACI) para o reforço à flexão com FRP colados externamente nas peças a reforçar. Um modelo um pouco mais sofisticado que permite determinar o reforço e a deformabilidade das peças reforçadas é descrito, sendo aplicado a um caso de estudo.
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 A experiência internacional da Edifer
Por Vera Pires Coelho, Presidente da Edifer
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A entrada da Edifer em novos mercados internacionais assenta numa estratégia de longo prazo que visa transpor para esses países e sociedades, a visão empresarial, o conhecimento técnico e as sólidas competências das empresas do grupo e profissionais. A empresa acredita que se pode contribuir decisivamente para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos desses países, a maior parte dos quais se encontram numa fase de desenvolvimento muito semelhante àquela que vivemos nas últimas décadas em Portugal. Com efeito, são estes elementos os verdadeiros fundamentos de todo o processo de internacionalização: uma determinação empresarial, uma estratégia clara e recursos adequados, baseados numa posição forte e consolidada no mercado de origem.
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 Hierarquização das regiões de Portugal continental em função do seu risco sísmico
Por Maria Luísa Sousa, investigadora do LNEC
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Os objectivos principais deste trabalho são o de analisar o risco sísmico do Continente Português considerando a sismicidade global que o afecta e o de hierarquizar as regiões do País em função do seu risco sísmico. Neste contexto, será estudada a influência das variáveis perigosidade, vulnerabilidade e exposição sobre o risco analisado. A solução proposta passa por avaliar os valores esperados anuais das perdas económicas e humanas em consequência dos sismos que afectam Portugal Continental, expressos por cinco indicadores que quantificam as perdas absolutas e relativas.
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 Reabilitação e reforço sísmico de pilares de pontes
Por Raimundo Delgado, Nelson Vila Pouca e António Arêde da Universidade do Porto, Pedro Delgado e Patrício Rocha, do Instituto Politécnico de Viana do Castelo e Aníbal Costa da Universidade de Aveiro
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Pontes e viadutos têm evidenciado, durante a ocorrência de sismos, uma grande vulnerabilidade à acção sísmica, resultante de não terem sido dimensionados para resistir a esta acção, ou dimensionadas para baixos níveis de intensidade sísmica, ou devido a deficiente pormenorização das armaduras. Especialmente nas pontes com pilares ocos em betão armado, o efeito de corte assume uma grande importância no seu comportamento, essencialmente devido à reduzida espessura das almas face à elevada capacidade resistente à flexão conferida pelos banzos, justificando-se uma atenção especial a este aspecto quando se analisam e reforçam este tipo de pilares. Neste trabalho apresenta-se um sistema de ensaio de elementos estruturais submetidos a acções repetidas e alternadas bem como alguns dos resultados obtidos numa campanha de ensaios de pilares ocos, procurando-se evidenciar os principais aspectos do seu comportamento. Depois de ensaiados, os pilares foram reforçados com cintas de CFRP e novamente ensaiados, com o intuito avaliar as potencialidades das diferentes estratégias de reforço sísmico adoptadas.
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 Avaliação do desempenho sísmico de um minarete de alvenaria
Por Nuno Mendes, Bolseiro de Doutoramento, Paulo B. Lourenço, Professor Catedrático da Universidade do Minho, Departamento de Engenharia Civil e Luís F. Ramos, Professor Auxiliar da Universidade do Minho, Departamento de Engenharia Civil
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Esta comunicação apresenta a avaliação do desempenho sísmico do Qutb Minar, minarete em Nova Deli, Índia. A modelação numérica foi realizada com recursos a três modelos diferentes. No estudo do desempenho sísmico da estrutura foram consideradas a análise não-linear estática e a análise não-linear dinâmica com integração no tempo. As técnicas de análise conduziram a resultados diferentes em termos de capacidade e forma de colapso, indicando que o uso de análises estáticas para a avaliação do desempenho sísmico de construções históricas de alvenaria deve ser realizado com precaução. Através da análise não-linear concluindo-se que os dois últimos pisos correspondem à parte mais vulnerável do minarete
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 Vulnerabilidade sísmica de redes
Por Luís Guerreiro, Rita Bento, Mário Lopes, Jorge Proença e João Azevedo, do departamento de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico
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Uma das formas de avaliar o grau de desenvolvimento duma sociedade é analisando a qualidade, sofisticação e fiabilidade das suas redes de infra-estruturas, nomeadamente as suas redes de transportes, eléctrica e de telecomunicações, entre outras. Este facto ilustra bem a importância que este tipo de redes tem actualmente na vida social e económica das sociedades mais desenvolvidas. Não é pois de estranhar que, em zonas consideradas sísmicas, a avaliação da vulnerabilidade sísmica destas redes seja uma preocupação das entidades responsáveis. O impacto dos sismos sobre as redes de infra-estruturas é essencialmente económico, pois o número de vítimas causadas é normalmente pouco relevante.
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 Avaliação da vulnerabilidade sísmica do edificado em centros urbanos
Por Romeu Vicente, Humberto Varum e Aníbal Costa, do departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro
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Nos processos de reabilitação e renovação urbana, a avaliação do risco sísmico associado ao edificado existente, tradicional de alvenaria ou mais recente em betão armado, deve ser considerada. Em muitos casos, esta avaliação é subavaliada, por um lado pelo reduzido nível de perigosidade de algumas cidades, e por outro pela falta de consciencialização dos responsáveis por estas acções de reabilitação. A inclusão do estudo do risco sísmico num processo de reabilitação urbana deve apoiar-se, por um lado, numa metodologia para a avaliação da vulnerabilidade do edificado integrada numa plataforma de gestão, adaptada à escala de intervenção (quarteirão, centro histórico, área urbana), ao tipo de edificado e ao nível de detalhe da informação recolhida, e por outro numa avaliação rigorosa da perigosidade.
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