Empresa de Viana do Castelo leva a fábrica às obras

Uma empresa de Viana do Castelo investiu 500 mil euros num projeto que leva a fábrica até à obra, numa aposta de “redução do desperdício, otimização de recursos humanos e poupança de custos em transporte”.

“É um projeto único em Portugal e no mundo que permite a produção ‘just in time’. Se são precisos cem metros, produzimos cem metros de um determinado tipo de conduta, no próprio local. A matéria-prima é produzida à medida, evitando o desperdício, otimizando a mão-de-obra e reduzindo os custos de transporte do material”, explicou à agência Lusa o administrador da empresa BMVIV, Licínio Lima.

Segundo o responsável da empresa que presta serviços de instalação e manutenção de equipamentos, eficiência energética e soluções globais de engenharia, o projeto designado ‘Road Factory Duct Hvac’ integra “dois grandes atrelados equipado com todas as máquinas que permitem fazer todo o tipo de conduta metálica, em qualquer lugar, a qualquer hora”.

“Levamos a fábrica diretamente ao consumidor. Às empresas de construção, de distribuição alimentar ou aos hospitais. É uma política de construção de proximidade e amiga do ambiente”, acrescentou.

Um dos “atrelados tem, no total, 17 metros de comprimento”, e o outro, “um camião grua, de menor dimensão, transporta um gerador”.

“O gerador tem uma potência de 60 Kilovoltampere (kVA) para não precisarmos de depender de ninguém para fabricar as condutas. Podemos fabricar condutas no deserto”, salientou o empresário.

A fábrica móvel é o projeto “mais inovador” do investimento de 500 mil euros que a empresa realizou para assinalar os 20 anos de existência. O investimento é cofinanciado pelo Programa Operacional Ciência, Tecnologia, Inovação.

“Este projeto resulta de uma aposta forte na Indústria 4.0. Muita gente fala agora da Indústria 4.0, mas nós já lá estamos há muito tempo. Isso permitiu-nos dar o salto que estamos a dar e que também só pode ser dado devido à contratação de quadro médios e superiores, recorrendo grande parte das vezes à nossa universidade, como lhe chamo, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC)”, destacou.

Instalada desde 2018 numa área de 2.400 metros quadrados na zona industrial de Neiva, num investimento que ascendeu a 1,3 milhões de euros, emprega “80 trabalhadores, dos quais 14 são mulheres, 22 licenciados e uma grande parte trabalhadores estrangeiros”.

“Não encontramos mão-de-obra qualificada em Portugal. É outro dos problemas com que nos debatemos. Faltam cursos de formação para a vida prática, para o que realmente faz falta às empresas”, lamentou o administrador.

Para assinalar o vigésimo aniversário, a empresa inaugurou uma microloja, que tem o apoio do grupo espanhol especializado em proteção ativa e passiva contra incêndios. O espaço pretende “servir de modelo a outras lojas a implantar no país para dar oportunidade à criação de microempresas”.

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