Bolsa de investigação para o desenvolvimento de argamassa biorecetiva

Um projeto para o desenvolvimento de um novo tipo de argamassa sustentável foi um dos 15 contemplados com uma Bolsa de Ignição financiada pelo programa INOV C 2020, um projeto cofinanciado pelo Centro 2020 através do FEDER. O programa visa projetar a região centro enquanto referência nacional na criação de novos produtos e serviços resultantes de atividades de I&D. O consórcio é liderado pela Universidade de Coimbra, contando também com o Instituto Politécnico de Coimbra, o Instituto Politécnico de Leiria, o Instituto Politécnico de Tomar, o Instituto Pedro Nunes, o ITeCons, o SerQ, o Biocant/ABAP, a Obitec e o TagusValley. As Bolsas de Ignição, com um valor máximo de 8500 euros por bolsa, dirigem-se a investigadores e docentes ligados aos centros de investigação envolvidos no consórcio, e vão apoiar projetos que visem a elaboração de testes ou prototipagem de produtos ou serviços resultantes de investigação científica e projetos de valorização comercial de resultados de investigação.

Melhorar o conforto térmico e acústico

Este projeto, que está a ser desenvolvido no ITeCons, visa o desenvolvimento de uma argamassa recetiva à inoculação e desenvolvimento de musgos. O objetivo é tirar partido da argamassa contendo musgos como solução de revestimento verde que otimiza a sustentabilidade ambiental da fachada viva, no que diz respeito à eficiência energética, necessidade de manutenção e de irrigação.

“Este novo tipo de argamassa, biorecetiva e propícia ao crescimento de musgos, potencia a conceção de fachadas verdes mais simples, económicas e de baixa manutenção. O desenvolvimento da investigação científica trará vantagens do ponto de vista ambiental e ecológico, como a captação de CO2 e a redução de consumo energético devido ao melhor isolamento térmico dos edifícios, mas também ao nível económico e social, tratando-se de uma solução menos dispendiosa e mais acessível a um maior número de pessoas”, explica Maria Inês Santos, investigadora e porta-voz do projeto.

O projeto passará por uma fase de conceção e formulação das argamassas biorecetivas ao crescimento de macroflora pioneira e seleção das espécies de musgos mais adequadas, seguindo-se a aplicação em modelos de paredes, fase na qual serão realizados ensaios mecânicos e físicos, bem como a avaliação de parâmetros fisiológicos necessários. Daqui deverá resultar a formulação de novas argamassas biorecetivas, com potencial de mercado.

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